Quem quer adoçar a boca de uma mãe é fazer algo de bom pelos seus filhos. Por outro lado quer deixar uma mãe azeda é oferecer fel aos seus filhos.
Ninguém ofereceu fel aos meu filhos (não que eu saiba), porém é duro ver e perceber a distinção que pessoas da própria família fazem entre Rafael e Heloísa, e não é por ser menina e menino e sim pelo fato dele ser cego.
Como as pessoas são deficientes de carinho, amor, compaixão, solidariedade....parecem ser deficientes do amor a Deus, pois está escrito que não possível amar a Deus e não amar o outro.
Tenho percebido a vários dias que meu AMADO Rafa não é amado como minha AMADA Heloísa. Meu anjinho parece sofrer algum tipo de rejeição (in)consciente por várias pessoas, atribuo isso ao fato de muitos serem desprovidos da verdadeira sensibilidade ao próximo.
Muitas pessoas da família, e outros, não participam da vida do Rafael, não procuram saber o que ele é, quem ele é e como ele é. Seus avanços, suas conquistas, suas vitórias.
Não sei como reagiria se tivesse um parente próximo cego, portanto não posso julgar. Mas sei que ao menos perguntaria sobre os motivos da cegueira, os avanços etc.
O amor que tenho pelo meu filho é suficiente pelo mundo inteiro, disso tenho certeza absoluta, mas também tenho certeza que pra ele ser um homem independente não basta meu amor, ele vai precisar conviver com o outro, com o desamor, com a intolerância, com as deficiências das pessoas....isso será muito sofrido pra nós; já sei que vou querer colocar ele na barriga de novo, sendo isso impossível fico imaginando como vou enfrentar isso, como estou enfrentando, desde já, o desamor que vejo nas pessoas pelo meu filho cego?
Dói, mas é uma dor que dá força, que dá garra, que me faz olhar pra ele e amá-lo mais ainda e pensar: "como as pessoas são bobas por não aprenderem com o Rafael, assim como tenho aprendido".
Hoje foi dia de vitórias e lutas, as profissionais que trabalham com ele desde os 5 meses (T.O e Fisio), foram só elogios para os avanços que ele está conquistando, mas meus pensamentos viajaram rumo às distinções que alguns queridos familiares fazem entre meus filhos.
Devo, sei que devo, estar centrada nas vitórias do Rafa, que aliás são muitas.
Segue uma fotinha do meu guerreiro aprendendo a escalar (já escala muito bem e isso é uma vitória).