sábado, 28 de setembro de 2013

amor pelo Gabriel

Durante toda a gestação do Gabriel, em nenhum momento imaginei como seria a relação do Rafael com ele. Quando perguntava onde estava o bebê o Rafa batia na minha barriga.
Quando cheguei em casa com o Gabriel nos braços, primeiro o Rafael demonstrou alegria por eu ter chegado (ficamos três dias separados); quando ele ouviu o choro do Gabriel ficou eufórico, dava risadas, batia as mãos e procurava de onde vinha o som do choro para ir atrás, fiquei encantada e preocupada.
Neste momento entendi que deveria arrumar um jeito dele ver o irmão, o tato não é confiável, já que o Rafael belisca e tem as mãos pesadas. Por outro lado é com o tato e audição que ele apreende o mundo.
Passei a colocar o Gabriel pertinho dele, com muita atenção aos movimentos do Rafa, que é certeiro nos dentes. Sempre segurando as mãos dele sobre o Gabriel, para que possa ver e entender como é um bebê.
O Gabriel já está com quase 40 dias e o Rafa ainda é bastante eufórico com o irmão, quer estar perto o tempo todo, chama o nome do irmão (aba, que significa Gabriel) e já conseguiu dar uma pequena dentada no pé do menino.
Até o momento não expressou ciúmes, parece que foi tomado de grande amor pelo Gabriel, quer estar perto o tempo todo, procura onde está o carrinho e coloca as mãos dentro, querendo tatear o Gabriel.
Quando orei por outro filho, pedi à Deus uma menina, mas o Pai Celeste mandou o Gabriel, e Ele sabe o motivo de não ter atendido totalmente minhas orações; agora sei que devo ser a ponte na construção da relação entre os dois irmãos, sei, sinto e desejo que será construído um laço forte, talvez até um pouco mais forte que a relação do Rafa com a Heloísa (que é espetacular, assunto pra outro post).

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Filhos e fardos

Na caminhada com o Rafael, tenho a oportunidade de conhecer várias crianças com suas mães. E é inevitável a troca de experiência com essas mães destemidas, que lutam pela integridade e independência dos filhos.
Numa destas conversas, pude notar que existem mães que se revestem de força, de conhecimento, de argumentos sobre a deficiência do filho ou filha. Porém, é somente roupagem pra esconder a não aceitação daquela criança, existem mães que querem que o mundo se adapte ao próprio filho e não o contrário. Triste isso, pois é perceptível um sofrimento velado, um luto não acabado, a negação da criança, a espera interminável por aquele outro filho idealizado durante a gestação.
Não acredito que sou uma mãe especial, por ter um filho deficiente visual, sou simplesmente mãe, que ama, que cuida, que zela, que ora, que almeja a total independência do Rafael.
O Rafa não é fardo na minha vida, como já falaram, ele é meu filho, muito querido e amado, assim como a Heloísa e o Gabriel. Fardo é o que as pessoas fazem com a luta diária da vida; vejo pessoas sofrendo horrores por fazer dos pequenos fragmentos da vida um interminável fardo, uma dor de se ver nos olhos. O que posso dizer pra essas pessoas? Temos que arrumar uma maneira de abandonar umas pedras pelos caminhos da vida, elas, muitas vezes impedem a caminhada.
Ter um filho deficiente me colocou frente às minhas deficiências, à minha própria cegueira. Isso me fez abandonar muitas pedras pelo caminho.
Não que seja fácil ter um filho deficiente, é um trabalho diário, de formiguinha; cada avanço, cada conquista é uma festa. E o que é a vida senão feita de pequenas conquistas, de pequenos avanços?
Não posso deixar de registrar que o Rafa é perfeito pra nós, apaixonante. O Rafa é filho, não o sonhado por mim, mas aquele que foi sonhado e almejado por Deus.

"PORQUE TENDES MEDO?!"

"PORQUE TENDES MEDO?!"  No dia 07 de junho desse ano, Rafa fez uma cirurgia para correção no quadril, estava com uma subluxação em...