Vivendo inclusão em todos os sentidos, teimo em repensar esse tema constantemente e entendo que vivo numa sociedade totalmente hipócrita e medíocre.
Já coloquei em outros posts sobre meu estado de indignação com algumas questões que vivencio. Por isso tenho enviado documentos escritos para algumas pessoas que "ingenuamente" tenho esperança que podem me ajudar a gritar mais alto. São tantas leis que é possível se perder no meio delas, todas com a nobre preocupação de incluir deficientes na sociedade, tem direito mil e nada de concreto.
Um exemplo simples: nos dias que antecediam o aniversário do Rafa fui comprar um bola de guizo pra ele. Passei pelo shopping em várias lojas e resolvi testar algumas procurando essa bola.
Nenhuma loja oferecia o brinquedo, uma loja indicava outra e eu fazia questão de dizer:
" O menino é cego e quer uma bola, mas precisa ser de guizo!"
Consternação por parte dos vendedores, uma das lojas ofereceram um bola de pelúcia com guizo, dessas bolinhas para bebês. Eu reafirmei:
"O menino vai fazer 4 anos, já não é bebê, não serve!"
É claro que não encontrei a tal bola, precisei comprar pela internet por um preço bem elevado se comparada com uma bola comum. Cadê a inclusão e acesso aos bens culturais da humanidade?
Um menino vidente pode ter uma bola por um preço acessível e o meu menino Rafa precisa pagar por um preço mais elevado?
Então várias pessoas vierem me ensinar como "ajeitar" uma bola com guizo comprando uma bola comum. Mas essa não é a questão, o que precisa ser dialogado, discutido pela sociedade, pelos meios de comunicação, pelas pessoas que discutem inclusão é:
" Como podem falar de inclusão, fazer leis para escolas aceitarem as matrículas dos alunos PAEE (público alvo da educação especial), se o comércio não disponibiliza produtos para que as crianças deficientes possam viver, simplesmente viver como crianças?"
A criança com deficiência pode e deve estar na escola, e o que o poder público proporciona aos profissionais que atendem essas crianças? Salas multifuncionais? Os professores são/estão capacitados para trabalhar com as mais variadas deficiências que estão na escola? O atendimento no horário oposto ao que frequenta a sala de aula regular é suficiente para aprender? Ou aprender não está em jogo nos debates sobre inclusão?
Como um aluno com PC, que necessita de terapias de apoio pode se desenvolver sem as terapias de apoio? Pois as instituições mais renomadas do país fingem que realizam um trabalho sério e muita gente finge que acredita.
Hoje estive com um aluno, de 12 anos, autista, que frequenta uma escola regular de ensino, ofereci uma folha com uma imagem natalina para colorir, ele pegou um lápis azul e riscou toda a folha, depois não conseguia recortar para montar a figura.
Ele me deixou consternada quando deitou a cabeça no meu ombro e contou um fato sobre a primeira infância dele. O menino autista tem seus limites, porém ele pode ter algumas conquistas desde que realizem um trabalho de estimulação para que desenvolva suas habilidades. Como e onde famílias carentes podem realizar esse trabalho?