Já passei por várias situações com o Rafa.
Algumas felizes, outras tristes, muitas complicadas de fazer o coração chegar nos pés.
Durante todo esse tempo uma couraça foi sendo criada, contra dedos apontados, olhares atravessados, comentários sarcásticos, dúvidas sobre as capacidades dele. Muita gente torcendo e pensando:
"Agora ela vai cair".
Para não ficar nenhuma dúvida: ela sou eu.
É como se estivesse sempre pronta para brigar, por mim, por nós e, principalmente, pelo e para o Rafa.
Poucas vezes fomos realmente acolhidos, entendidos.
O Rafa não gosta de sair da rotina, não gosta de sair, passear em lugares fechados, shopping é o horror da vida dele, festas um pesadelo, ele não faz birra, ele sofre em tais lugares. Esse comportamento não justifica-se pensando em autismo, já foi descartado por todos os médicos e terapeutas que o acompanha desde bebezinho.
Dizem que ele fica desorganizado, e não tendo a pista visual para chamar atenção, acaba se recusando a estar em determinados lugares.
A igreja que sempre frequentamos, desde que ele nasceu, também não gostava de ir, chorava muito depois que passou a entender melhor as situações do cotidiano dele.
Recebemos a visita do Pastor que nos acompanhou desde o nascimento do Rafa, e de uns queridos da igreja, vieram para visitar o Rafa. Nessa visita, foi proposto levarmos o Rafa à igreja numa tentativa dele aceitar ficar, algumas estratégias foram definidas para isso.
Resolvi fazer a experiência, e neste dia não acreditei no Rafa, não acreditei que que ele ficaria tranquilo, fui preparada para levar ele embora em poucos minutos.
Foi nesta situação que Deus me ensinou o sentido de ser acolhida, fui acolhida, o Rafa foi acolhido. Ele viu carinho na Tia Andréa e se apaixonou por ela, assim como parece estar se apaixonando pelas outras pessoas que estão ficando com ele num espaço reservado para crianças pequenas.
Já fomos vários domingos, e minha alegria foi muito grande por ver a aceitação do Rafa ao ambiente e por ver a aceitação de outras pessoas com meu menino.
Agora entendi que é possível sermos aceitos e acolhidos. Verdadeiramente acolhidos.
O Rafa agradece com a gargalhada característica dele, a mamãe fica emocionada, muito emocionada pelo acolhimento gratuito e genuíno.