Sensibilidade emocional!
Segundo definição do dicionário: "Ter sensibilidade emocional significa ser capaz de sentir empatia, ou seja, captar e assimilar os diferentes sentimentos de outras pessoas, ou de um grupo específico."
Não tenho encontrado essa sensibilidade em relação ao Rafa. Tentei contar quem já se permitiu conhecer o Rafa, ver um pouco além da deficiência, e não consegui completar dez dedos.
Infelizmente, essa realidade não é privilégio meu, minhas amigas mães com filhos anjos como o meu, passam pela mesma situação.
Muitas vezes é essa situação que causa sentimento de solidão e de abandono. Podendo levar a estresse profundo, crise de ansiedade e até mesmo depressão. Quero muito alertar o mundo todo: "Olhem por nós mães de crianças com deficiência"
Mas ninguém escuta. Existem inúmeras ações para toda espécie de ser vivo do planeta. E quais ações de acolhimento e cuidado existe com as mães?
Como disse o neuro do Rafa outro dia, o medico dá o diagnóstico e quando a família chega em casa, fecha a porta e faz o quê?
"Elaine, tô devastada, minha filha convulsionou essa madrugada..."
"Elaine, não tenho vida social, meu filho mal me deixa comer"
"Fico tremendamente triste quando vejo tios e tias levando minha filha para passear e não levam ele, sei que é difícil, mesmo assim dói"
"Agora encontrei alguém que me entende, você vive o que vivo"
Tenho tido a oportunidade única de escutar mães com essas frases e outras, de compartilhar experiências, angústias, dores, alegrias...um mundo tão nosso que dá vontade de fazer um mundinho particular e não sair, pois quando saímos os olhares estrangeiros, em algumas situações, ferem e devemos ser combativas 24 horas por 365 dias do ano, para e pelos nossos filhos.
Hoje mesmo escutei o caso de uma mãe em depressão profunda pela filha com deficiência, precisou ser afastada da menina por um tempo para se recuperar.
As pessoas tem perdido a capacidade de ter sensibilidade emocional, não se deixam tocar por nossas crianças, não se permitem ver, não se permitem ir além do olhar.
Mas Deus é muito bom, pois tem colocado em meu caminho algumas pessoas de uma sensibilidade incrível, que conseguem enxergar o Rafa, pessoas que olham para ele uma vez e são tocadas, vejo no olhar, na forma como falam com ele, comigo. É diferente.
É a sensibilidade emocional que vejo, acabo também sendo tocada por essas pessoas, por ver que ainda restam seres humanos que podem ser sensíveis.
Ontem encontrei uma pessoa na fila do INSS, começou a conversar comigo e acabei falando do Rafa, ele me olhou e disse: " Fico imaginando o ser humano que você tem ser tornado por conviver com uma criança assim tão espetacular".
Ele não viu o Rafa, não precisou ver para se deixar tocar.
Talvez, só talvez, esteja hipervalorizando as situações que temos vivido. Mas questiono o motivo das pessoas fingirem que o Rafa não existe, e isso é real, não uma situação criada pela minha mente materna.
Diante de tudo que vejo, escuto e sinto, agradeço a Deus por me mostrar poucas pessoas sensíveis e que se deixam ser tocadas pelo meu Rafa.
Eu fui irrevogavelmente tocada pelo Rafa, e a vida que vivo hoje com ele, não troco pela vida que vivia sem ele.









