Poucas pessoas sabem nossa história real em uma das únicas instituições que atendem crianças cegas na região que moro.
Um tempo sofrido para o Rafael e para nós os familiares, principalmente minha mãe que o acompanhava nos atendimentos nesta instituição. No principio tudo correu bem, porém com o passar do tempo a situação foi ficando complicada, Rafa chorava muito, penso que não gostava do lugar e do atendimento, pois na clinica em que realiza outras atividades a reação dele já era bem positiva neste período.
Depois de alguns entraves finalmente o Rafa foi convidado a se retirar. Eu e meu marido lá de mãos dadas ouvindo a leitura de um semi dossiê forjado, com centenas de inverdades, sobre nossas condições, sobre nossa vida, sobre os caminhos que seguíamos com o Rafael. Eu, de caráter teimoso e briguento, neste momento não teimei e não briguei, pois o instinto materno gritava para eu ficar tranquila.
Hoje, o Rafa faz readaptação na Unicamp. Creio que tudo foi preparado por Deus, pois Ele nunca me abandonou, desde que o Rafael nasceu. No CEPRE existe profissionalismo e compromisso com a criança deficiente.
Resolvi escrever essa situação como forma de denúncia, para quem sabe aplacar meus ânimos revoltosos que hoje se agitam como mar em fúria.
O fato é que estou na luta com outra mãe, que tem o filho com síndrome do X frágil, apresentando características de autista. Tive conhecimento de alguns caminhos que ela pode percorrer com a criança em busca de uma vida mais independente.
Mas como no Brasil nada é fácil, o menino necessita de um laudo médico constando o cid necessário para tentar o ingresso nesse colégio (que é particular, mas a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo tem parceria e oferece todos os subsídios necessários para crianças que não podem pagar).
Seguindo as orientações de outra mãe, que já conseguiu realizar a matrícula do filho nessa escola, fui procurar uma conhecida instituição, com o intuito de realizarem uma avaliação no menino. O fato é que esbarrei num poço de ignorância do outro lado da linha:
Eu - Boa tarde, a situação é a seguinte.......... (expliquei)
A Fulana - Bem ele está na escola?
Eu - Sim (Dei o nome da escola).
Ela - Ele não pode sair da escola. Ele precisa ser encaminhado para o Cirase e depois de uma avaliação lá, se acharem relevante encaminham pra cá. Mas também não temos vagas!
Eu - Então tá.....obrigada!
Fiquei orgulhosa por me manter "em cima do salto". Esse pessoal não considera que podem haver pessoas que pensam. Sei muito bem como funciona o Cirase, existem muitas crianças para serem avaliadas, não dão conta da demanda, eu mesma já fiz vários relatórios de alunos para eles.
Diante dessa triste situação fiquei pensando no papel real das instituições. Esse pessoal não tem os requisitos que considero necessário para atender crianças e familiares. É um absurdo!
Acredito seriamente que existam algumas instituições sérias, porém grande parte delas visam tudo, menos o desenvolvimento de pessoas com deficiência.
Quanto ao menino com a Síndrome do X Frágil não desisti dele, conversei muito com a mãe, mostrando outros caminhos, outras possibilidades para um atendimento de qualidade à criança.
Ainda volto neste mesmo canal de comunicação para divulgar as vitórias do Vítor, para contar das vitórias do Rafa, que caminharão a despeito da incompetência de tantas instituições.