sábado, 16 de julho de 2016

Efeito Rafa

O efeito que Rafa teve sobre minha vida foi, é, e será contundente.
Não posso ser hipócrita em dizer que desejei um filho com deficiência. Nunca nem imaginei, e passei por um longo processo interno para chegar a total aceitação dele e finalmente ao amor imenso que completa e dá significado à minha existência.
Quando Rafa nasceu eu já tinha a experiência materna, já era mãe de uma menina de 3 anos. Em todos aqueles momentos iniciais de descoberta entre nós dois, eu acreditava que não seria como era com a Heloísa, aquilo me angustiava grandemente, pois eu queria o que tive com ela. Aquela sensação, aquele sentimento gostoso de ter um bebê tão esperado.
Nosso processo de conhecimento se tornou um laço forte, Rafa me fez de novo. Como pode um filho refazer uma mãe?
Não sabia tantas coisas que hoje sei.
Posturas, posicionamento diante da vida: tudo novo.
Valores: considero agora as pequenas coisas como as mais significativas.
Felicidade?
Está na opção que fiz, escolhi ser feliz e estar feliz. Isso não exclui momentos de preocupações, tristezas, frustrações.
Para ser feliz não preciso que o Rafa migre de sua condição de criança com deficiência para criança sem deficiência.
Sou feliz e grata a Deus por tudo que tenho e sou, por tudo que tenho me tornado por causa dele.
E o paradoxo disso tudo é que minha condição feliz surgiu a partir da caminhada por um trajeto de dor, lágrimas e pedras, muitas pedras.
Passamos por situações muito complicadas, a cada passo dado muita briga, muita luta. Olhares preconceituosos, de estranheza, indelicados, intolerantes temos suportado todos os dias durantes esses anos.
Falta de sensibilidade para ver o  diferente. Vejo isso nos olhares estrangeiros e nos familiares, em detrimento disso somos felizes porque fiz a opção de brigar, mostrar para quem quiser ver que conviver com qualquer deficiência é ter leveza, ternura e amor em primeira opção.
Só posso agradecer ao Rafa por ser tão feliz e por fazer várias pessoas felizes.
Descrição da imagem: Foto centralizada no rosto do Rafa, está com um largo sorriso
Descrição da imagem: Rafael em atividade com a T.O está com uma espuma branca em ambas as mãos juntas. Está sentado, sorrindo, como se tivesse esfregando uma mão na outra.



sábado, 2 de julho de 2016

Caminho das conchas

Hoje pude apreciar o filme infantil :"Procurando Dory". Levei junto o marido, Heloísa e Gabriel (Rafa ficou com a vovó, pois não gosta de cinema nem de shopping).
A história, para um observador leigo, é legal, com traços de humor, frases cômicas. Porém, o olhar é outro para pessoas que vivem no contexto de ter uma pessoa com deficiência em casa, na família. Melhor colocando: o olhar é outro para pais e mães que tem filhos com deficiência.
A discussão sobre como educar uma criança com deficiência rende uma colcha de retalhos, com certeza. São tantas questões, dúvidas, desafios, acertos, erros, lutas, alegrias, tristezas. Algumas famílias acabam optando por proteger, esconder o filho ou filha de olhares inquisidores, questionadores, acusadores (muitos acusam a própria mãe pela deficiência do filho, sem acusar explicitamente). 
O que se destaca em Dory é justamente a educação que é oferecida à pequena, os pais se preocupavam o que ela faria quando estivesse sozinha, a cobrem de amor, incentivam as capacidades dela, procuram reter a memória dela com fatores significativos: canções, brincadeiras, objetos com apelo emocional (como a concha, que faz ela encontrar o caminho até os pais).
É claro que a pequena se perde dos pais e nessa aventura faz novos amigos, encontra um "pai" superprotetor. Mas o que está arraigado em Dory se destaca e ela acaba trilhando seu próprio caminho numa busca interna da sua essencia, procurando encontrar e saber quem é Dory, que leva ao encontro dos pais.
Vendo o desenrolar da história, me questionava qual educação dou ao Rafa. 
Superprotejo? 
Educo ele para enfrentar a vida?
É claro que eu mesma respondo que educo ele para enfrentar a vida. Porém, pensando...pensando....pensando... a certeza da resposta começa a fraquejar.
De qualquer forma cheguei à uma óbvia conclusão: Vou fazer tudo que posso e não posso para que o Rafa encontre o próprio caminho.
Meu amore é capaz, vou caminhar com ele até onde puder. Quando não puder mais, preciso garantir que ele encontre o caminho das conchas.

"PORQUE TENDES MEDO?!"

"PORQUE TENDES MEDO?!"  No dia 07 de junho desse ano, Rafa fez uma cirurgia para correção no quadril, estava com uma subluxação em...