terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Ensino Regular - primeiro ano

O ano está acabando e ouso dizer que 2016 foi repleto de dificuldades. Algumas situações novas, complicadas a principio, outras rotineiras.
Acredito que os grandes marcos da vida são os mais conflitantes.
Esse ano vivemos um marco na vida. Rafa ainda não entende isso, não entende que mamãe passou por uma grande angústia, brigando por ele.
Sempre soube que meu amore, com esse atraso neuropsicomotor, não poderia frequentar uma escola regular. Falei várias vezes que meu filho não seria mais um número nas escolas regulares somente para dizer que há inclusão, pois estou na escola e sei o que as pessoas tem denominado de inclusão. Em tempo: também sou contra a segregação. Assunto para outro post.
A escola que o Rafa tem frequentando desde os 3 anos é de educação infantil, sendo assim comporta crianças de 0 a 5 anos. Tendo em vista que atualmente a crianças com 6 anos completos precisam, por força legal, frequentar o primeiro ano dos anos iniciais. 
Papai e mamãe que não matricular o filho ou filha  no primeiro ano pode ser obrigado a fornecer explicações ao conselho tutelar, caso ocorra denúncia.
Vivo o contexto escolar, sei de todas essas implicações, mesmo assim foi e tem sido um período difícil. Pois, legalmente, dizem que preciso matricular meu filho numa escola regular, conversei com pessoas que respondem pelas escolas regulares, questionei, argumentei e a orientação sempre a mesma: matricular Rafa numa escola regular de anos iniciais.
O sistema público educacional não oferta o que crianças pervasivas (crianças com deficiência de grau severo) necessitam. Rafa, aprendeu andar com 4 anos, não fala, apesar de interagir com o que há em volta, não consegue, ainda, se alimentar e cuidar da higiene sozinho. O que ele vai fazer numa escola regular de primeiro ano? Aprender as letras? Os números? Qual a proposta de ensino diferenciado ou adaptação curricular poderia existir pra ele?
Meu Rafa precisa de estímulos sensoriais e motores. Quem vai proporcionar isso à ele numa escola pública regular de ensino? 
Ele será simplesmente mais um?
Não, não será. Podem me dizer o que for, meu amore terá o que precisa e sei discriminar o que ele não precisa.
As escolas de educação especial, que trabalham com crianças público alvo da educação especial, são particulares, com preços que valem o serviço e a qualidade que oferecem, porém, muitas inacessíveis à grande maioria. Também inacessível ao Rafa, pelos valores apresentados.
Analisando as opções que existiam, descobrimos a possibilidade de uma bolsa proporcionada por um programa de apoio à deficientes do nosso plano médico.
E assim começa a se desenrolar a vida escolar do Rafa, ele vai continuar numa escola, com certeza. Porém, não será outro número a estar nas escolas públicas que se querem inclusivas.
Rafa terá uma educação de qualidade, vou brigar por isso. 
Hoje minha dúvida, minha angústia é por outras mães, que passam por lutas semelhantes às minhas e não sabem como prosseguir.
Tanto a ser dito....tanto a ser discutido....dependemos de pessoas que comprem a ideia, que sejam sensibilizadas pela causa.
Não necessitamos de outras resoluções, acordos, leis. Agora urge levar o debate para esferas maiores, para pessoas que sejam sensíveis às mães que estão brigando, em oculto, pelos filhos/as com deficiência.

sábado, 17 de dezembro de 2016

O dia que afoguei a arrogância materna...

Hoje fomos passear. Um lugar belo, com passarinhos cantando, muita grama, mangas espalhadas pelo chão (amo manga), muitos brinquedos para criança, como escorregador, balanço e gangorra, também piscina e hoje o dia estava quente.
Contei para o Rafa que iríamos passear, contei que teria piscina, que brincaríamos na água.
Chegamos ao local, Rafa começou a resmungar, fomos direto para a área da piscina, já conhecíamos as pessoas que estavam lá (membros da igreja em que também participamos), as pessoas nos cumprimentaram felizes, cumprimentaram o Rafa, procurando deixar ele tranquilo para que não chorasse.
E ele chorou assim que chegamos na área da piscina, as pessoas tentavam ajudar: 
"Rafa vamos na piscina..."
Rafa chorava tão alto que dificultava até ouvir o que as pessoas diziam.
Percebi que não daria para ficar ali. Fui caminhar com ele, num lugar mais distante, onde havia passarinhos cantando, fui conversando com ele e dizendo o que tinha ao redor, tentei colocar ele nos brinquedos, também não quis, queria caminhar na grama, ia puxando minha mão.
Resolvi sentar e coloquei ele na minha perna, falando que iríamos escutar o passarinho, ele foi aquietando, prestando atenção na brisa leve, no canto dos passarinhos.
Quando vi que estava mais calmo falei de novo que estávamos ali para brincar, que Gabriel e Heloísa estavam amando o lugar. Ele ficou quieto.
Percebi que na medida que ele "via" o ambiente ao redor, percebia a atmosfera, escutando atentamente o canto dos pássaros em meio aos gritos alegres  das crianças na piscina, ia acalmando.
Entendi naquele momento que o Rafa precisa ver por ele mesmo onde está pisando, muitas informações o deixam desestabilizado, inseguro, afinal o que vemos em questão de segundo com os olhos, Rafa precisa de um tempo maior para ver.
Ele tem seis anos, estudei e estudo muito sobre DV, fiz especialização, fiz TGD, agora faço psicopedagogia...
Hoje, esse monte de estudo provou-se ineficaz, quando era necessário somente um pouco de perspicácia, quando era necessário simplesmente parar para ver. Quantos vezes andamos com algum dispositivo ligado que nos faz caminhar sem ver, com o Rafa não é possível caminhar sem ver o ambiente, e é preciso mais do que minha descrição, ele precisa ver por ele mesmo.
Hoje tive uma lição preciosa, pois somente depois dele entender o que ocorria ao redor, de ver o ambiente por ele mesmo, foi possível aproveitar o passeio e o Rafa brincou na piscina.
Minha arrogância materna dizia que sei tudo sobre o Rafa, hoje afoguei essa arrogância. Tenho muito a aprender com meu amore, sei muito e não sei nada dele.
#pracegover: Tês imagens feitas através de foto colagem, na primeira tem o Gabriel, sorrindo dentro da piscina, na segunda imagem está Heloísa, cabelos soltos, sorrindo, na terceira imagem o Rafa, com uma expressão risonha no rosto, é possível ver as gostas de água no rosto e na barriga dele.

"PORQUE TENDES MEDO?!"

"PORQUE TENDES MEDO?!"  No dia 07 de junho desse ano, Rafa fez uma cirurgia para correção no quadril, estava com uma subluxação em...