sábado, 17 de maio de 2014

Episódio: Shopping.

Após vários meses, hoje saímos para passear levando o Rafa. Na verdade fomos ao Shopping, onde ele chorou muito nas últimas oportunidades que estivemos ali.
Estava preparada para o choro, como sei que fica inseguro em andar naquele ambiente, coloquei ele no carrinho do Gabriel e este no colo do pai.
Rafa adorou sentar no carrinho do irmão, quando entramos no shopping ficou sério, tentando entender o que se passava ao redor, não chorou. Somente quando parava o carrinho resmungava.
Nosso roteiro foi simples: praça de alimentação, loja de brinquedos.
Na praça de alimentação ele ficou nervoso, pois não queria ficar parado, também não gosta de comer guloseimas como a irmã dele, chorava alto e todos olhavam, fui conversando e explicando o que tinha ao redor dele. Ele, por sua vez, tentava perceber e identificar as vozes, pois está numa fase de grande interesse pelas pessoas, toca todos que se aproxima, abraçando e tateando.
Os olhares sobre ele eram insistentes, mas não me incomodo com isso, nem um pouco. (Quando ele ainda era um bebê ficava transtornada com os olhares sobre ele). Para minha surpresa, Heloísa ficou brava com os olhares, também ouviu outra criança gritando com toda espontaneidade infantil: "Mãe você viu o olho dele?"
Coitada daquela mãe, estava de frente pra mim, não sabia como se pronunciar, eu simplesmente ri para o Rafael e Heloísa, em seguida continuei conversando de onde havíamos parado. Precisei explicar para Heloísa que não devemos nos incomodar com os comentários e olhares, pois as pessoas olham para aquilo que é diferente e o Rafa tem os olhos diferentes, ela ficou brava, dizendo que o irmão estava chateado, tomou as "dores" que nem ele, nem eu, nem meu marido sentimos.
Rafa gostou da loja de brinquedos, tocava em alguns e derrubava vários (Se diverte em jogar os brinquedos no chão, não sei se pelo barulho e pela ação de jogar, isso é um problema, pois dizem que devo ensiná-lo a não brincar dessa forma...).
Hoje posso afirmar que foi um dia proveitoso para nós, o Rafa está começando a entender o movimento de um lugar como o shopping e encontrou um pouco de prazer nisso. Mostrou para outras pessoas que cego pode e deve sair de casa, que cego pode se divertir, mesmo que for jogando brinquedos ao chão.
Cada passo e cada conquista do Rafael são pra mim maremotos de alegria.
Fecho meus olhos, na praça de alimentação de um shopping e me coloco no lugar dele, vejo a insegurança que aquilo tudo pode causar, por isso meu Rafa é guerreiro e vitorioso. "Amore mio", sei que esse meu "amore" vai continuar me surpreendendo.
Descrição da Imagem: Rafa sentado no carrinho de bebê do irmão, rindo. Atrás dele, alguns coqueiros.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Aceitação, inclusão, deficiencia!!!!!!

Estudando a legislação sobre e para deficiências fiquei surpresa diante  da quantidades de leis e decretos (Federais, Estaduais e Municipais) que existem. Estou aprendendo quantos caminhos é possível seguir com  crianças deficientes, caminhos desconhecidos até então, mesmo estando inserida no contexto escolar. Pensei nos motivos de desconhecer algo que pode ser bom para alguns alunos, os motivos pelos quais as informações não chegam para o grupo de professores. Este é o fato um.
O fato dois, acredito que até já tenha mencionado isso em algum texto, é o tratamento dispensado aos familiares de deficientes por pessoas que teoricamente trabalham com pessoas deficientes.
Sempre dizem, sem dizer, que estamos todos loucos e morrendo de tristeza por termos um menino deficiente em casa, quando afirmamos o contrário querem saber como é a relação com os outros dois filhos, se estão sendo deixados de lado em detrimento do Rafa ou se estão sendo mais amados em detrimento de não serem deficientes.
Tenho suportado isso desde que iniciei a caminhada com o Rafael. A todo momento preciso afirmar que somos felizes, que o Rafa é feliz, que amamos os três filhos, cuidamos e suprimos as necessidades dos três de maneira proporcional à necessidade e singularidade de cada um.
Fico intrigada com essas questões. Se existem tantas legislações e ações inclusivas, porque as pessoas se admiram tanto pelo fato do Rafa ser um menino feliz e amado? Aceito pela família. Aceito pela escola.
Tem sido notório um contrassenso.  Não teria motivos para dúvidas ou surpresas no amor e aceitação total do Rafa se vivemos em uma sociedade que prega a inclusão constantemente.
Ou essa dita inclusão é simplesmente uma cortina que esconde a exclusão? Porque tantos decretos, leis e possibilidades para alunos deficientes serem desconhecidas dos professores? Enquanto tantas outras ditas "formações" são realizadas nas escolas?
Nunca tive nenhuma formação sobre educação inclusiva na escola. Quando digo formação falo das infindáveis "novidades" estudadas e pensadas por técnicos da educação que são oferecidas em "taças" aos professores das redes estaduais e municipais de ensino. Nestas taças quase nunca são oferecidos temas sobre educação especial e inclusiva ou deficiências.
Só posso concluir que apesar de todo o aparato legal, apesar das ditas ações de sensibilização da sociedade para os deficientes, vivemos uma contradição entre viver a inclusão e ver os inclusos como seres humanos singulares.
Existe  grande dificuldade por parte da sociedade, desde o atendente do supermercado até aos profissionais que trabalham com deficientes e seus familiares, em ver uma criança deficiente feliz e amada.
Existe ainda uma grande jornada para que deficientes sejam vistos e aceitos como seres humanos singulares.
Algumas pessoas que participam, minimamente, da minha vida conseguem ver meu Rafa como uma criança. Primeiro a criança e depois a cegueira.

"PORQUE TENDES MEDO?!"

"PORQUE TENDES MEDO?!"  No dia 07 de junho desse ano, Rafa fez uma cirurgia para correção no quadril, estava com uma subluxação em...