“A avareza quer
possuir muito, mas Tu possuis todas as coisas.
A inveja pleiteia a
primazia, mas quem mais excelente do que Tu?
A cólera procura a
vingança; qual a vingança mais justa que a Tua?”
Santo Agostinho
Comecei a flertar com Santo Agostinho!
Que fonte revigorante de se beber. Alguns preferem
se chafurdar no vinho, na cachaça, no whisky ou outros hábitos que considero
nocivos para a mente, a alma e o espírito
para amargar ou amansar as tristezas, as dores, as ansiedades. Eu optei por flertar
com os livros e conversar com Deus.
Minha filha Heloísa diz que não escuta Ele
responder, eu sempre digo à ela que devemos aquietar a alma e a mente para
ouvir Deus falar.
Meu flerte com Santo Agostinho iniciou por
fazer jus a um direito em relação ao Rafa, são tantos direitos, todos conquistados
com briga, luta e alguns por força judicial. E são direitos! (tema para outro texto).
Comecei mais um ano letivo fazendo jus ao
direito da redução da jornada para cuidar do meu filho. Porém, desde o ano de
2017, quando foi expedida a sentença pelo juiz, a situação é, no mínimo,
complicada, pois, reduzir jornada de uma professora de anos iniciais é um fato raro,
e exige vários ajustes por parte da chefia imediata, além de uma mente aberta e
um coração puro, características quase inexistentes nos dias atuais.
Entendo todos os complicadores de ordem organizacional
perfeitamente!
O problema passa a surgir quando comentários e
fofocas surgem a partir dessa redução, tais como;
“Professora folgada!”
“Trabalha menos!”
“Carga reduzida
e ainda falta para ir ao médico!”
Seria isso o que denominam mente tacanha? Ou
avareza citada por Santo Agostinho?
O que dizer quando “mentes tacanhas” ou “avarentas”
surgem de pessoas que ocupam cargos de lideranças? Pessoas que não incapazes de
pensar certo? Ou de exercer minimamente empatia?
Ninguém nunca me perguntou sobre a saúde do meu
filho, o que é necessário para ele ter uma vida digna, o que faço quando saio
da escola, ninguém pergunta como Rafa se beneficia com a redução da minha jornada, de que modo a vida dele tem sido enriquecida, pois o currículo organizacional e adaptativo de uma escola especial muitas vezes pede a presença materna. E o principal: ninguém SE pergunta “E SE FOSSE MEU FILHO?”
Nunca imaginei que pagaria dois valores por
fazer jus à um direito: os serviços da advogada e o preço de um assédio moral
velado que tenho vivenciado ano após ano; um assédio que é escamoteado com sorrisos
amigáveis.
Tenho firme convicção que a paz e o descanso
que Deus tem me proporcionado em relação ao Rafa, é infindável.
Seguiremos firmes!
Ainda pagarei outros preços por fazer jus à
outros direitos, cada não que recebo, fico mais destemida esperando pelo sim, afinal direitos não deveriam compor pauta de discussão.