segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Coitadinhado

Alguns dias atrás, o jornalista Jairo Marques, com todo seu estilo e estética poética escreveu um belo texto com o título "Coitadinhar".
Fazendo uma analogia com a palavra, descobri que o Rafa foi "coitadinhado". Aqui a palavra tem o sentido do olhar com "pena", "dó" para a pessoa com deficiência, se for criança então pode ser muito "coitadinhado".
O fato que me fez refletir sobre isso: Minha mãe, com toda a disposição que possui, acompanha o Rafa nas terapias de apoio enquanto trabalhamos (como ela faz questão de afirmar, para que ninguém venha supor que os pais abandonaram o criança com deficiência), numa dessas andanças, uma pessoa ficou olhando para o Rafa e começou a perguntar sobre ele para minha mãe.
As perguntas são sempre as mesmas: o que ele tem, onde estão os pais, se vai na escola, porque nasceu dessa forma....e essa pessoa resolveu perguntar o que ele gosta de comer.
Minha mãe estranhou a pergunta, mas respondeu, afirmando que ele não gosta de doces, refrigerantes, chocolate e todas as guloseimas que normalmente as crianças apreciam.
No momento da despedida essa pessoa deu R$ 10,00 para minha mãe, afirmando que era para comprar o iogurte que ele tanto gosta. 
Minha mãe ficou na dúvida entre aceitar ou não, pois ela entendeu de imediato que o homem estava "coitadinhando" o Rafa, fato que causou horror e surpresa nela. Mas depois ficou imaginando que seria ofensivo não aceitar o "presente".
O presente tá guardado em casa, fiquei pensando o que fazer com ele. 
Bobagem ficar refletindo sobre o que fazer com R$10,00?
Para uma mãe que se recusa "coitadinhar" o filho não é bobagem. Rafa não precisa de R$10,00, nem de R$50,00, R$100,00 ou qualquer outra quantia que é oferecida como forma de amenizar o profundo sentimento de "coitadinhar" uma pessoa com deficiência.
Rafa é uma pessoa criança, com necessidades especificas, que tem pais que trabalham bastante para suprir as necessidades dele e dos irmãos. 
Rafa, pessoas e outras crianças com deficiência precisam que a sociedade se sensibilize para a causa da inclusão social, escolar. Estão no mundo, não podem ser ignorados ou "coitadinhados".
É temeroso pensar e ver que a sociedade oscila entre os dois pólos: ignorar ou coitadinhar as pessoas com deficiência.
Precisam ser vistos como PESSOAS, com toda a humanidade que todo ser humano singular apresenta.
PESSOAS HUMANAS, simplesmente pessoas humanas!

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Chorei

Algumas pessoas já me falaram que sou "durona". Mas sempre digo que não sou.
Não posso dizer que sou "frágil", mas durona estou longe de ser. Já me disseram que sou insensível, por causa do meu temperamento, não me conhecem.
Hoje chorei!
Fiquei examinando o motivo das lágrimas ao ver a cena que deixou muito evidente que não sou durona, nem insensível.
Estive lendo os motivos do choro, dentre as causas estudadas por terapeutas, está que o choro é um sinal, não necessariamente uma dor, uma tristeza.
O motivo do choro foi que ao chegar com Rafa na escola, era festa de encerramento do ano letivo, tinha um Papai Noel sentado logo na entrada esperando para tirar fotos com as crianças.
Rafa foi levado, muito feliz, até o Papai Noel, eu fiquei olhando para ver como reagiria. A "tia" da escola colocou ele junto ao Noel. Rafa não chorou, se encostou no homem tentando perceber quem era, o que era. 
É claro que não riu na foto, mas lá ficou ele paradinho e a foto foi tirada. Tinha outra mãe olhando, falando da filha dela que tem medo do Papai Noel, mas eu não ouvia, chorava por trás das lente dos óculos escuros. Quando vi que a foto foi tirada, fui embora sem falar tchau, a voz não saia.
Bobagem! 
Mãe derretida?
Fiquei a tarde examinando o sinal do choro. 
Não sei se cheguei a um consenso comigo mesma. Só descobri que fiquei emotiva por ver que meu Rafa, aos cinco anos, tem a primeira foto com Papai Noel, ele nunca quis ficar perto, não gosta de shopping, de tumulto e fica inseguro com aquilo que ainda não conhece.
Lá foi meu menino encostado no homem de barba branca, inseguro, sem saber quem era, tendo a certeza que era uma situação nova, mesmo assim, ficou lá firme por alguns segundos, sem chorar. Mamãe entendeu naquele momento mais um avanço do menino surpresa, uma alegria "boba" que toda mãe sente ao ficar enlouquecida para fotografar o rebento com Papai Noel.
Para entender essa teia de sentimentos, de pensamentos é necessário praticar, exercitar a sensibilidade humana, sensibilidade dos sentidos, que infelizmente poucos possuem.
Descrição da imagem para cego ver: Rafa encostado no Papai Noel, Está com uma expressão séria, a mão direita ficou fechada e erguida; o papai noel está sentado. Ao fundo decoração de natal.

"PORQUE TENDES MEDO?!"

"PORQUE TENDES MEDO?!"  No dia 07 de junho desse ano, Rafa fez uma cirurgia para correção no quadril, estava com uma subluxação em...