Essa semana passei por duas situações repletas de significados.
Não costumo fazer do Rafa minha bandeira de sucesso nem fracasso, nem me faço de coitadinha por ter um menino com deficiência, usando a condição dele para ter supostas vantagens.
Enfim, numa das situações, logo no inicio da semana, precisei contar um pouco do Rafa para uma pessoa que me conhece a pouco tempo e se interessou por conhecer um pouco dele.
Após expor brevemente o quadro diagnóstico do Rafa, terminei falando: "A condição dele não muda, mas investimos em terapias de apoio".
A pessoa com quem conversava, muito sutilmente, sugeriu que eu não perdesse as esperanças de cura.
É claro que choquei, pois há muito tempo ninguém falava sobre ter esperança em cura.
Me perguntei: Qual cura?
Será que Rafa precisa de cura?
Outra situação também uma pessoa me perguntou sobre ele, contei brevemente. Quando acabei minha interlocutora me perguntou: "E você, vive bem com tudo isso?"
Me surpreendi de novo. Porque não viveria bem?
Quando me tornei mãe do Rafa, ingressei num mundo novo, repleto de aprendizagens. Virei aprendiz de um pequeno grande professor, aprendi a ver o que antes não conseguia ver. Meu filho sem visão me trouxe muitos olhares.
quarta-feira, 4 de dezembro de 2019
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