Já escrevi em outros posts a dificuldade encontrada em sair com o Rafael. Dificuldade em ir ao supermercado, shopping. Dificuldade por ele demonstrar bastante insegurança em ambientes novos para ele.
Na correria da vida diária, arrumei ele, sem pensar muito bem no choro e insegurança e fui em vários lugares. Só avisei ele:
- Rafa, nós vamos passear, em vários lugares, não é para chorar não tá?
E ele, rindo e batendo palmas, sinal de alegria.
A primeira parada foi no mercado, coloquei ele sentado no carrinho, no mesmo momento passou a mão na barra lateral e riu quando comecei a empurrar. Entramos no mercado, fui pegando alguns itens e explicando para ele o que era, como era.
Quando parei o carrinho num corredor, onde havia biscoitos, ele esticou a mão para segurar, pegava e jogava onde dava, no carrinho ou no chão, depois morria de tanto rir. A mãe rindo junto, fazendo a maior farra, o povo olhando e imaginando que o menino cego tem uma mãe deficiente intelectual.
Neste momento entendi a dimensão de ver com as mãos, ele precisa tocar em todas as prateleiras do supermercado para saber como é e o que tem, até o momento que conseguir discriminar os itens do mercado de outra maneira.
No caixa só olhares para o Rafa, afinal ele é lindo, por isso todos o admiram (brincadeirinha...). Mas a operadora não resistiu e teceu os comentários dela sobre deficiência.
Depois fomos à farmácia e na lojinha que vende objetos variados. Neste momento entendi novamente o ver com as mãos, pois enquanto conversava com as pessoas ele tocava cada uma delas, segurava em mim com uma mão e com a outra procurava tocar nas pessoas com quem eu conversava, foi a primeira vez que ele fez isso, e compreendi a necessidade dele ver como eram tais pessoas.
Na lojinha, um dos vendedores diz ter ficado admirado com a noção de espaço que o Rafa tem, como ele localiza objetos a sua volta. Localizar objetos também foi um dilema, pois ele queria ver tudo (como qualquer criança da idade dele), porém derrubava várias coisas, tocava tudo sem medo, queria pegar.
Ia dizendo para ele o que era e que não podia ficar pegando, que havia o perigo de quebrar, que precisa tocar devagar. Ele, muito "obediente", ria e pegava tudo que percebia estar na frente dele.
Depois desta cativante experiência, consigo ter nova dimensão de como o Rafael conhece o mundo, de como ele usa o tato, a audição, o olfato. Ele já entendeu que o mundo vai além da casa dele, do corpo dele.
Agora só falta ele entender que pode voar nesse mundo.
Já sou apaixonada pelo Rafael amiga. Adoraria ser sua professora...ou melhor, aluna...rs..bj nele!
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