quinta-feira, 1 de maio de 2014

Aceitação, inclusão, deficiencia!!!!!!

Estudando a legislação sobre e para deficiências fiquei surpresa diante  da quantidades de leis e decretos (Federais, Estaduais e Municipais) que existem. Estou aprendendo quantos caminhos é possível seguir com  crianças deficientes, caminhos desconhecidos até então, mesmo estando inserida no contexto escolar. Pensei nos motivos de desconhecer algo que pode ser bom para alguns alunos, os motivos pelos quais as informações não chegam para o grupo de professores. Este é o fato um.
O fato dois, acredito que até já tenha mencionado isso em algum texto, é o tratamento dispensado aos familiares de deficientes por pessoas que teoricamente trabalham com pessoas deficientes.
Sempre dizem, sem dizer, que estamos todos loucos e morrendo de tristeza por termos um menino deficiente em casa, quando afirmamos o contrário querem saber como é a relação com os outros dois filhos, se estão sendo deixados de lado em detrimento do Rafa ou se estão sendo mais amados em detrimento de não serem deficientes.
Tenho suportado isso desde que iniciei a caminhada com o Rafael. A todo momento preciso afirmar que somos felizes, que o Rafa é feliz, que amamos os três filhos, cuidamos e suprimos as necessidades dos três de maneira proporcional à necessidade e singularidade de cada um.
Fico intrigada com essas questões. Se existem tantas legislações e ações inclusivas, porque as pessoas se admiram tanto pelo fato do Rafa ser um menino feliz e amado? Aceito pela família. Aceito pela escola.
Tem sido notório um contrassenso.  Não teria motivos para dúvidas ou surpresas no amor e aceitação total do Rafa se vivemos em uma sociedade que prega a inclusão constantemente.
Ou essa dita inclusão é simplesmente uma cortina que esconde a exclusão? Porque tantos decretos, leis e possibilidades para alunos deficientes serem desconhecidas dos professores? Enquanto tantas outras ditas "formações" são realizadas nas escolas?
Nunca tive nenhuma formação sobre educação inclusiva na escola. Quando digo formação falo das infindáveis "novidades" estudadas e pensadas por técnicos da educação que são oferecidas em "taças" aos professores das redes estaduais e municipais de ensino. Nestas taças quase nunca são oferecidos temas sobre educação especial e inclusiva ou deficiências.
Só posso concluir que apesar de todo o aparato legal, apesar das ditas ações de sensibilização da sociedade para os deficientes, vivemos uma contradição entre viver a inclusão e ver os inclusos como seres humanos singulares.
Existe  grande dificuldade por parte da sociedade, desde o atendente do supermercado até aos profissionais que trabalham com deficientes e seus familiares, em ver uma criança deficiente feliz e amada.
Existe ainda uma grande jornada para que deficientes sejam vistos e aceitos como seres humanos singulares.
Algumas pessoas que participam, minimamente, da minha vida conseguem ver meu Rafa como uma criança. Primeiro a criança e depois a cegueira.

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