sábado, 31 de janeiro de 2015

Transplante...sondando o coração.

Estive sondando o coração da mamãe do Rafa.
Nesta semana fui arrebatada por um pensamento que nunca tive, desde que tivemos o diagnóstico do Rafael: possibilidade de transplante.
Estive lendo sobre o assunto, o caso do Rafa é muito especifico, ele tem olhos e tem nervo óptico, mas tudo sem funcionar, com o agravante que os micros olhos que tem estão bem escondidos na órbita ocular.
Alguns pesquisadores japoneses realizaram testes de transplante ocular em 2002, com sucesso, após uma semana o bichinho estava enxergando com o olho novo.
Depois que li essa matéria fui sondar meu coração, querendo entender o que quero para meu filho; porque nunca acalentei o sonho dele enxergar um dia? Porque faço tanta questão de mostrar que essa não é minha luta com o Rafa, quando outros me perguntam, com muito pesar, se um transplante, uma cirurgia não resolveria?
Não cheguei a nenhuma resposta racional, tive curiosidade para saber do assunto, porém não acendeu nenhuma chama explosiva no meu materno coração. Pensei: Será que me recuso a dar vistas ao meu filho?
Não encontrei resposta racional também.
Se um dia meu menino, sendo já um homem rapaz me disser:
 
"Mamãe, quero ver com os olhos".
 
Vou correr atrás dos japoneses, vou fazer o que puder para auxiliá-lo, mas agora não é esse o sonho, não é essa a luta. Vejo a cegueira do Rafa como algo tão natural, simples, como se tivesse um dedinho maior que outro, numa comparação grotesca.
Minha luta com ele é outra, muito maior que a visão. Alguém pode me dizer: mas se ele ver com os olhos acaba a luta. Não acaba, afirmo!
Agora estou num emaranhado de redes buscando vida digna e justa não só ao Rafa, agora sonho com outras mães, sofro com outras mães, sinto o que outras mães sentem. Mães com filhos DVs.
Acho louvável mães que buscam e anseiam pelos avanços da medicina, que pode proporcionar visão aos deficientes visuais.
Talvez muitos, que conhecem os atrasos do Rafa, podem pensar que estou sendo como a raposa, da fábula: "A raposa e as uvas", desprezando algo que quero muito. Também digo que os que me conhecem de fato, sabem que não busco, nunca busquei e não buscarei olhos para  o amore enxergar.
Busco, feito uma leoa, uma vida feliz para meu filho, uma vida em que ele possa ter igualdade de condições e oportunidades que outras crianças possuem.
Até hoje o Rafa não precisou de olhos para rir, para ser feliz, para ser amado. Minha energia é voltada para o desenvolvimento neuro motor dele, para isso não poupo esforços.
Ver com os olhos ou com as mãos, ele tem mostrado que não é problema ver com as mãos. Amo o amore cego, este é MEU filho do meio, meu menino sanduíche, não quero e não posso trocá-lo, é um menino amado e feliz.
Rafa é cego e isso é fato. Reverter  o fato, se fosse possível, não é a meta, não é o sonho.
Mais: sei a resposta que ele vai dar quando perguntarem se quer ver com os olhos.
Não necessitou enxergar para rir assim:

Descrição: Rafa com fantasia de elefante, rindo muito.

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