Tenho vivido várias fases com o Rafael, desnecessário dizer que quero estar ao lado dele em todos os momentos e fases, porém nem sempre é possível. Explico: passamos por três momentos em que não pude segurar a mão dele, no momento da ressonância magnética, em que ele foi sedado com 9 meses e não fiquei junto dele durante a realização do exame; com 10 meses, acometido de uma grave varicela foi internado em UTI e não permitiram estar com ele enquanto realizavam os exames preliminares para internação; agora, com 3 anos ingressando na escola.
Conversei com ele e expliquei que iria para escola, pois já é mocinho, contei todas as maravilhas da escola, brincar, cantar, ter novos amigos, vivenciar novas experiências e ele sempre ria e batia palmas, sempre faz isso quando fica feliz.
Fiquei atemorizada, com o coração acelerado, medo da nova experiência, da reação dele. Racionalmente sempre soube da necessidade da escola, dos benefícios que proporcionarão no desenvolvimento dele, é o caminho da independência.
Como vivo uma constante luta entre razão e emoção, desde o nascimento do Rafa, neste momento não foi diferente. O coração diz para proteger, cuidar, não deixar cair, não deixar sofrer, amar, zelar, e quem sabe colocar em uma redoma de vidro blindado (se é que existe uma redoma de vidro blindado). Porém, normalmente a razão acaba vencendo.
No primeiro dia, lá fomos nós, eu, Heloísa, Rafa e Gabriel. Os dois iniciando o processo de adaptação na escola; convém ressaltar que estava convicta do choro e sofrimento do Rafa no primeiro dia na escola e da tranquilidade do Gabriel.
Cheguei e as profissionais, que já conheço dos tempos da Heloísa, vieram me ajudar com mochila, bolsa e as crianças, o Rafa me abraçou e deitou no ombro (este sinal não é bom, faz isso quando está com medo), Gabriel todo assanhado, rindo e olhando tudo com muita curiosidade. Fiquei ali no portão, falando, explicando, repetindo mil vezes o comportamento dos dois e outros pais no portão olhando. Coloquei o Rafa no chão e a professora pegou na mão dele e começou a conversar, devagar levando para dentro da escola.
Fiquei pasma ele entrando sem chorar, com cara de curiosidade foi embora sem olhar pra trás. Depois de um tempo liguei para saber como estava, perguntei: "Como está o Rafa?". Fiquei surpresa comigo mesma, pois não perguntei deles, só do Rafael; mais surpresa ainda quando fiquei sabendo que ele brincou com bola, estava super bem e quem chorou foi Gabriel.
Quando fui busca-los, após 2 horas, o Rafa dava um passo à frente e virava a cabeça para ouvir o barulho das crianças que ficavam na escola, andava para frente e voltava para trás, demonstrando uma grave dúvida entre ir e ficar, minha voz chamando não era estímulo para ele, outras vozes o atraiam.
Esse é o meu Rafa sempre me surpreendendo, ensinando que é criança de 3 anos, preferindo crianças à adultos, mostrando que é um menino vivendo sua infância. Preciso inverter meu olhar para ele: Ver primeiro a criança e depois a cegueira; isso é romper paradigmas e até mesmo preconceitos sobre a deficiência.
Laine, fantástico, que experiência o Rafa e vocês estão vivendo. Isso é único, pois virão outros acontecimento que marcarão o crescimento e aprendizado dele.
ResponderExcluirVejo a mão de Deus neste processo, penso e acredito que o Rafael será um grande homem e nosso privilégio é ver este processo acontecendo aos poucos.