terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Direito de aprender!

Existem cenários e cenas que ainda não compreendo em relação às pessoas com deficiência.
Quando o Rafa nasceu muitos diziam:
 
"Aposenta ele, você é boba?" 
" Pede beneficio do governo, é direito dele!"
 
Ouvia tais comentário e tudo parecia, ainda parece, um contrassenso. Ora como posso aposentar ou pedir auxilio para uma criança que quero criar para ser independente?
Pode ser que esteja totalmente equivocada com este pensamento. Mas fico ouvindo todas as vozes, que apontaram e apontam caminhos a seguir com o Rafa. É unanimidade dizerem que devo educar ele como tenho educado a Heloísa, que devo olhar o menino de três anos, depois a cegueira. Não pedi auxilio para a Heloísa, não aposentei a Heloísa com 3 anos; como a maioria das mães, sonho com um futuro cheio de sucesso profissional e financeiro para minha filha.
Não posso imaginar algo diferente para o Rafa, também sonho com sucesso profissional e financeiro para ele, mesmo que for com 40 anos de idade, não importa o tempo cronológico.
Assim como o sistema de cotas para negros procura corrigir anos de escravidão e exclusão social, será que tantos direitos para deficientes não procura incluir para depois excluir? (Imagino o pensamento de alguns):
 
"Preciso garantir, legalmente, alguns direitos para mostrar à sociedade que tais deficientes são incapazes de ter uma vida realmente independente."
 
Não estou desmerecendo alguns direitos que realmente levam à uma vida social plena e satisfatória, como por exemplo o direito de frequentar escolas regulares.
Todo esse pensamento nasceu a partir do laudo médico que precisei entregar na escola sobre o Rafael. Como professora já sei como funciona, mas como mãe não havia entendido tudo isso.
O cadastro de alunos matriculados no Estado de São Paulo, seja de escolas municipais, estaduais ou particulares (com algumas exceções), é no mesmo sistema, e neste sistema crianças com deficiências tem um registro especifico, uma marca, de forma que quando professores pegam a lista dos seus alunos já podem ver quantos deficientes são e o tipo de deficiência.
Meu Rafinha, com 3 anos, já vai ter a "grande marca" à frente do nome. Como, funcionária pública, entendo muito bem os motivos de tais marcas, conheço muito bem a politica educacional das planilhas e documentos que profissionais da escola precisam preencher e assinar para justificar seu trabalho; assunto para outro tipo de texto.
Enfim, Rafa adquiriu o direito de estar numa escola regular, (no caso dele está sendo muito privilegiado, pois as profissionais estão preocupadas com o pleno desenvolvimento dele), mas tenho uma inquietude tão grande, às vezes angustiante, sobre o DIREITO de APRENDER.
Será que as escolas de fato proporcionam esse direito à todas crianças, sejam elas deficientes ou não?
Será que as escolas e os/as profissionais conseguem garantir esse direito?
Posso estar errada, e se assim for, desejo tecer outros olhares para a situação, mas temo que a criança com deficiência não tem garantido, em algumas escolas, o DIREITO DE APRENDER, que vai além do direito de frequentar a escola.
 

Um comentário:

  1. exatamente...o direito de aprender, que está alem da inclusao...estar na sala de aula mas com o direito de aprender garantido....não apenas ali de corpo presente, mas olhado em suas particularidades para o aprendizado genuino...bjs

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