Hoje fomos passear. Um lugar belo, com passarinhos cantando, muita grama, mangas espalhadas pelo chão (amo manga), muitos brinquedos para criança, como escorregador, balanço e gangorra, também piscina e hoje o dia estava quente.
Contei para o Rafa que iríamos passear, contei que teria piscina, que brincaríamos na água.
Chegamos ao local, Rafa começou a resmungar, fomos direto para a área da piscina, já conhecíamos as pessoas que estavam lá (membros da igreja em que também participamos), as pessoas nos cumprimentaram felizes, cumprimentaram o Rafa, procurando deixar ele tranquilo para que não chorasse.
E ele chorou assim que chegamos na área da piscina, as pessoas tentavam ajudar:
"Rafa vamos na piscina..."
Rafa chorava tão alto que dificultava até ouvir o que as pessoas diziam.
Percebi que não daria para ficar ali. Fui caminhar com ele, num lugar mais distante, onde havia passarinhos cantando, fui conversando com ele e dizendo o que tinha ao redor, tentei colocar ele nos brinquedos, também não quis, queria caminhar na grama, ia puxando minha mão.
Resolvi sentar e coloquei ele na minha perna, falando que iríamos escutar o passarinho, ele foi aquietando, prestando atenção na brisa leve, no canto dos passarinhos.
Quando vi que estava mais calmo falei de novo que estávamos ali para brincar, que Gabriel e Heloísa estavam amando o lugar. Ele ficou quieto.
Percebi que na medida que ele "via" o ambiente ao redor, percebia a atmosfera, escutando atentamente o canto dos pássaros em meio aos gritos alegres das crianças na piscina, ia acalmando.
Entendi naquele momento que o Rafa precisa ver por ele mesmo onde está pisando, muitas informações o deixam desestabilizado, inseguro, afinal o que vemos em questão de segundo com os olhos, Rafa precisa de um tempo maior para ver.
Ele tem seis anos, estudei e estudo muito sobre DV, fiz especialização, fiz TGD, agora faço psicopedagogia...
Hoje, esse monte de estudo provou-se ineficaz, quando era necessário somente um pouco de perspicácia, quando era necessário simplesmente parar para ver. Quantos vezes andamos com algum dispositivo ligado que nos faz caminhar sem ver, com o Rafa não é possível caminhar sem ver o ambiente, e é preciso mais do que minha descrição, ele precisa ver por ele mesmo.
Hoje tive uma lição preciosa, pois somente depois dele entender o que ocorria ao redor, de ver o ambiente por ele mesmo, foi possível aproveitar o passeio e o Rafa brincou na piscina.
Minha arrogância materna dizia que sei tudo sobre o Rafa, hoje afoguei essa arrogância. Tenho muito a aprender com meu amore, sei muito e não sei nada dele.
#pracegover: Tês imagens feitas através de foto colagem, na primeira tem o Gabriel, sorrindo dentro da piscina, na segunda imagem está Heloísa, cabelos soltos, sorrindo, na terceira imagem o Rafa, com uma expressão risonha no rosto, é possível ver as gostas de água no rosto e na barriga dele.

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