O ano está acabando e ouso dizer que 2016 foi repleto de dificuldades. Algumas situações novas, complicadas a principio, outras rotineiras.
Acredito que os grandes marcos da vida são os mais conflitantes.
Esse ano vivemos um marco na vida. Rafa ainda não entende isso, não entende que mamãe passou por uma grande angústia, brigando por ele.
Sempre soube que meu amore, com esse atraso neuropsicomotor, não poderia frequentar uma escola regular. Falei várias vezes que meu filho não seria mais um número nas escolas regulares somente para dizer que há inclusão, pois estou na escola e sei o que as pessoas tem denominado de inclusão. Em tempo: também sou contra a segregação. Assunto para outro post.
A escola que o Rafa tem frequentando desde os 3 anos é de educação infantil, sendo assim comporta crianças de 0 a 5 anos. Tendo em vista que atualmente a crianças com 6 anos completos precisam, por força legal, frequentar o primeiro ano dos anos iniciais.
Papai e mamãe que não matricular o filho ou filha no primeiro ano pode ser obrigado a fornecer explicações ao conselho tutelar, caso ocorra denúncia.
Vivo o contexto escolar, sei de todas essas implicações, mesmo assim foi e tem sido um período difícil. Pois, legalmente, dizem que preciso matricular meu filho numa escola regular, conversei com pessoas que respondem pelas escolas regulares, questionei, argumentei e a orientação sempre a mesma: matricular Rafa numa escola regular de anos iniciais.
O sistema público educacional não oferta o que crianças pervasivas (crianças com deficiência de grau severo) necessitam. Rafa, aprendeu andar com 4 anos, não fala, apesar de interagir com o que há em volta, não consegue, ainda, se alimentar e cuidar da higiene sozinho. O que ele vai fazer numa escola regular de primeiro ano? Aprender as letras? Os números? Qual a proposta de ensino diferenciado ou adaptação curricular poderia existir pra ele?
Meu Rafa precisa de estímulos sensoriais e motores. Quem vai proporcionar isso à ele numa escola pública regular de ensino?
Ele será simplesmente mais um?
Não, não será. Podem me dizer o que for, meu amore terá o que precisa e sei discriminar o que ele não precisa.
As escolas de educação especial, que trabalham com crianças público alvo da educação especial, são particulares, com preços que valem o serviço e a qualidade que oferecem, porém, muitas inacessíveis à grande maioria. Também inacessível ao Rafa, pelos valores apresentados.
Analisando as opções que existiam, descobrimos a possibilidade de uma bolsa proporcionada por um programa de apoio à deficientes do nosso plano médico.
E assim começa a se desenrolar a vida escolar do Rafa, ele vai continuar numa escola, com certeza. Porém, não será outro número a estar nas escolas públicas que se querem inclusivas.
Rafa terá uma educação de qualidade, vou brigar por isso.
Hoje minha dúvida, minha angústia é por outras mães, que passam por lutas semelhantes às minhas e não sabem como prosseguir.
Tanto a ser dito....tanto a ser discutido....dependemos de pessoas que comprem a ideia, que sejam sensibilizadas pela causa.
Não necessitamos de outras resoluções, acordos, leis. Agora urge levar o debate para esferas maiores, para pessoas que sejam sensíveis às mães que estão brigando, em oculto, pelos filhos/as com deficiência.
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