Falar e pensar sobre educação especial tem sido uma paixão cultivada desde o nascimento do Rafa, talvez o amor por ele se funde à essa temática tão delicada desse país.
Vivo e vejo a educação especial em casa, como mãe, e nas duas escolas em que trabalho, como professora. Vejo a educação especial também como cidadã politizada e e pensante.
Muitas vezes minha indignação com os poderes públicos causa taquicardia. Sempre penso em meu filho que se beneficia ou se prejudica em tudo que é posto ou deposto.
Muitos podem não acreditar (e nem intenciono convencer ninguém), mas sinto a dor de outras mães que não conseguem recursos de acessibilidade, inclusão social e escolar, readaptação aos filhos com deficiência. Vejo criança na escola sem nenhum tipo de recurso, (na área educacional e saúde), mães que esperam ajuda da equipe gestora da escola, professores sem saber como ajudar, a quem recorrer, e isso tudo me leva à profundas reflexões:
1- Tanta legislação, acordos e resoluções, Brasil sendo país designatário pela e para inclusão, e o que temos de fato?
2 - Como aquele rapaz, André, da reportagem na TV Record, se encontra naquela situação? Não há recursos nas cidades deste Brasil?
3 - Como posso pagar plano odontológico para meu filho Rafa e ainda pagar uma profissional especializada em atendimento à criança com deficiência? Meu plano não deveria oferecer um bom profissional, remunerar esse profissional de acordo com a formação que possuí para atender um público especifico?
4 - Uma criança que nasce com deficiência, precisa ter estímulos desde a mais tenra idade. O SUS do Brasil oferece tais estímulos com profissionais qualificados?
5 - Como uma ministra, que representa um governo republicano e moderno, pode falar que crianças com autismo precisam ser "educadas" pelos pais em casa? (A ministra transfere da esfera pública para a privada - no lar - o dever de oferecer educação inclusiva e de qualidade às crianças com autismo?). Questiono ainda: O médico opera o próprio filho em casa? O advogado defende o próprio filho num processo criminal?
6 - Como pode existir tantos profissionais que se auto proclamam "da educação especial", mas estou vendo literalmente, a incompetência reinar nas salas de AEE? Começando pelos técnicos (secretários de educação, passando por supervisão) e chega na "salinha" de recurso, que tem muito recurso, porém com professores que apenas encenam engamento/dedicação e a criança fica na "mesmice" de nem saber escrever o próprio nome por anos. (eu mesma fui vitima da incompetência técnica de supervisores escolares quando Rafa saiu da educação infantil e foi para primeiro ano).
As pessoas não conseguem ou não querem ver o lado humano da educação especial, engessam todos e todas num modelinho único, desconsiderando que criança com deficiência é antes de tudo ser humano, complexo e singular ser humano, e isso por si só é a razão que deveria justificar caminhos diferentes para cada uma dessas crianças rumo à aprendizagem e desenvolvimento.
Rafa tem deficiência sensorial, cognitiva, muitas características de TEA, e aprende, todos os dias tem um aprendizado novo, tem caminhado arduamente rumo ao próprio desenvolvimento que ninguém sabe até onde pode chegar. Como mãe digo à ele: O céu é o limite.
Não quero aqui me tornar a "mãe coitadinha" publicando todas as dificuldades que enfrentamos, desde que ele nasceu, para que esse desenvolvimento e aprendizagem ocorra. Mas afirmo e sempre afirmarei de viver e ver: poder público nem terceiro setor que frequentamos tiveram eficiência e trabalho de qualidade para o desenvolvimento do Rafa. As terapias significativas e essenciais foram e são particulares.
Não me furto de acreditar que possa ainda existir a oferta de serviço público de qualidade para nossas crianças com deficiência, essa esperança me move a falar e falar com pessoas e mais pessoas, me move a contar tantas experiências, me move a sensibilizar o outro a se apaixonar pelo humano, esse tem sido meu engajamento de vida.

com certeza, o Brasil ainda precisa vencer muitas barreiras atitudinais, para que nós pessoas com deficiência tenhamos uma vida plena, e possamos desfrutar todos os nossos direitos e cumprir nossos deveres. É como eu sempre digo, para se ter igualdade é necessário que as diferenças sejam atendidas e respeitadas.
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