terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Fechar os olhos e ver

Tenho sido conduzida a fechar os olhos e ver.
Ironia ou não, é dessa forma que percebo o mundo e as pessoas. Muitas dessas pessoas estão sendo pagas para atender famílias com crianças, pessoas com deficiência e possuem a sensibilidade de um elefante.
Infelizmente, precisei estar frente com um elefante assim. Me disse gesticulando para os laudos e relatórios médicos/ terapêuticos do Rafa: 
" Esse monte de relatório dele não vai valer de nada, o promotor está ao nosso lado....." 
Acredito que essa pessoa perdeu a capacidade de ser empática, não tem a expressão do afeto, da acolhida, do ouvir.
Esse fato aconteceu durante a busca de escola para o Rafa. Já disse por aqui e reafirmo: A inclusão ainda não existe no Brasil, temos muitas leis, porém poucas ações de fato. Poderia discorrer horas sobre esse tema, mas agora não é o momento, quem sabe um dia falo com os grandões de Brasília.
Quando digo que inclusão escolar não existe, também não digo que sou a favor da segregação. Sou a favor da empatia, de olhar e ouvir o outro.
A legislação amarrou as famílias e as escolas, pois criança com 6 anos precisa estar no 1º ano dos anos iniciais (antigo pré, que agora é o inicio da etapa de alfabetização), não interessa se essa criança fala, anda, escuta, usa fraldas, agride outras crianças, come sozinha.....nada interessa, pois como me disse certa pessoa de maneira bem grosseira: "esses laudos de nada valem".
Joga na escola e pronto. Depois tem um cuidador para fazer a higiene dessa criança e lá fica ela sentada ou deitada vendo o tempo passar, pois está se socializando, pois está inclusa, uma vez por semana será atendida pela professora de educação especial, no contra-turno, e nada irá impedir a inclusão escolar dessa criança, afinal é direito. Então as estatísticas de matrículas mostram quantas crianças público alvo da educação especial estão sendo atendidas. Tudo seria lindo se a realidade não se mostrasse tão cruel e destoante da boniteza das letras legislativas.
Respeito e cortesia para com as famílias e crianças é artigo de luxo. Orientar as famílias para buscar mais pelos filhos/as é ilusão. Veredicto final que é dito: a escola está preparada para receber seu/a filho/a.
A sociedade está preparada para receber a pessoa com deficiência? 
A área da saúde pública está preparada e equipada para auxiliar as crianças com deficiências assim como as famílias, dando as orientações necessárias?
A escola precisa estar preparada para receber a criança. A área da saúde não deveria também incluir?
A Lei Brasileira de Inclusão garante em seu artigo 15, o direito ao diagnóstico e intervenção precoce, assim como programas de reabilitação da criança desde a mais tenra idade.
E pessoas com a sensibilidade de elefante querem me coagir a colocar o Rafa em escola regular. Hoje digo com toda autoridade e sabedoria materna: Ele não vai para escola regular, não é aluno para escola regular, não vai fazer número numa escola, pois ele necessita de outros estímulos nessa etapa que vive, não precisa aprender Braille nem Soroban agora. 
Precisa de outros pré-requisitos do desenvolvimento humano, que posteriormente favoreçam tais aprendizagens.
Ninguém ama o Rafa mais do que eu, ninguém acredita nele como eu, ninguém sonha que ele voe mais que eu, ninguém vive o que vivo com ele. Portanto tenho toda autoridade para escolher e dizer o que é melhor para meu filho, não serei subjugada por discursos vazios e hipócritas.
Rafa vai ter o que ele precisa. Ele vai para a escola, mas para a escola que atender as necessidades dele, que o ajudará a caminhar mais um pouco rumo a reta final da corrida que está participando desde que nasceu. 
Carecemos de seres humanos que possam ouvir e ver as dores e alegrias dos pares.
Carecemos de gestos de ternura para muitas mães que labutam sem cessar pelos filhos/as, e estão sendo ignoradas em suas dores, enclausuradas nas amarras da ignorância de pessoas que não conseguem enxergar as feições do outro, que não enxergam a dor do outro.
Insensibilidade e apatia em relação às emoções do outro, cegueira e pouca disponibilidade é o que tenho encontrado em minhas buscas por uma vida de qualidade ao meu amore. 
Porém, mamãe não desiste viu Rafa?
#pracegover: Rafael sentado nas pernas da irmã Heloísa, ela está com uma máscara nos olhos e cabeça inclinada.Gabriel está em pé, atrás da Heloísa, com uma pintura na região dos olhos, simulando uma máscara. Os três estão rindo.

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