Não me recordo de já ter postado o quanto mudei depois do nascimento do Rafael, não sei se pra pior ou melhor, creio que depende de quem olha e como olha as minhas atitudes, o meu falar, o meu agir e até mesmo meu jeito de andar.
Deus me dotou com dose extra de racionalidade, porém antes do nascimento do Rafael acreditava que era composta somente por emoções, por isso, frequentemente estava infeliz, triste ou aborrecida com pessoas que fazem parte da minha vida e que adotam atitudes e posturas estranhas ao meu olhar.
A partir do momento que colocaram no meu colo um menino cego, percebi o quanto poderia ser racional, mesmo sofrendo, mesmo não querendo, mesmo não aceitando aquele menino, uma parte me impelia a fazer tudo o que os médicos diziam pra eu fazer, outra parte queria sofrer, naufragar, chorar.
Parecia dividida ao meio: metade emoção, metade razão. Não sei o que aconteceu com a metade emoção, ela existe ainda, porém está sob o total domínio da racionalidade. Isso me ajuda a viver focada na realidade e estou ensinando isso aos meus filhos: não dá pra se debater tanto com pequenos ventos, é preciso deixar os grandes sofrimentos para as grandes tempestades da vida, não dá pra fingir sofrimentos com o intuito de chamar atenção, ou querer mostrar ao mundo uma "santidade" que não existe e jamais vai existir, já que (não posso deixar de mencionar), o único Santo que caminhou nesta terra foi Jesus.
Foi neste sentido que mude trinta anos em apenas dois, e agora fico imaginando que não sou deste mundo, pois os seres humanos possuem a incrível capacidade de "armar um circo" para os ventos da vida. Então penso o que farão com as tempestades.
Deus me pegou pelo "calcanhar de Aquiles", devo admitir que minha maior fraqueza são meus filhos. Ao me dar um menino cego, só Ele sabe como me desfez por completo e depois foi refazendo e a obra não está completa, pois a cada dia com o Rafael é único, cheio de esperanças, sonhos, fé no futuro dele, alegria por ele ter aprendido a bater palmas com 2 anos e 7 meses, por ele mostrar onde está a cabeça quando pergunto, por mostrar a cabeça de novo quando pergunto onde está o nariz.....são sensações e fragmentos de uma vida que Deus está me ensinando a viver com calma, perseverança e muito amor pelo meu filho cego dos olhos, tão somente cego dos olhos.
Nossa amiga, que tremenda reflexão e aprendizado que vc expressa em suas palavras. Com ctz Deus tem o melhor para nós e vc é um exemplo disso...bjs...Grace
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