INCLUSÃO: Não posso deixar de pensar nas palavras de um professor da faculdade: "Muitas vezes inclui para excluir".
Uma frase que parece ambígua, mas posso entender e sentir o que é incluir para excluir. Para começar a história, foi necessário criar leis e regimentos para não jogar as crianças deficientes na "roda dos expostos" (local onde eram deixadas crianças rejeitadas pelas famílias, normalmente um convento ou seminário).
A construção e discussão da situação vivida pelos deficientes é histórica e longa. Nos dias atuais, é domínio público que deficiente tem direito de frequentar escola e estar inserido na sociedade, fazendo tudo que outros fazem, dentro dos limites impostos pela deficiência, seja física, intelectual ou sensorial.
Mas a (ex)inclusão somente pode ser sentida pelas famílias de crianças deficientes que lutam pela independência dos filhos. O árduo caminho começa com procura de escolas. O fato de deixar o filho na escola, pela primeira vez, já é um complicador para muitas mães, imagina deixar um filho deficiente na escola que só está aceitando a criança pelo fato de ter uma legislação que a obriga a isso. É preciso querer muito a independência do filho, seria mais fácil e menos sofrido "guardar" essa criança em casa, longe dos olhares agressores, longe dos preconceitos da sociedade que tem uma roupagem democrática, aberta e que preserva os direitos humanos.
Se a sociedade preservasse, realmente, os direitos humanos não seria necessário tanta legislação e decretos em prol dos deficientes.
Tenho procurado brinquedos pedagógicos que estimulem a aprendizagem do Rafael, afinal ela fará 3 anos no próximo mês, e tenho encontrado barreiras: os brinquedos e objetos pedagógicos são onerosos, não é possível encontrar em lojas comuns, a maioria só encontro em sites especializados que vendem produtos para deficientes visuais. Não acho uma bola de guizo na PB Kids, ou na Luck brinquedos, que são grandes lojas que vendem artigos infantis. Que inclusão é essa?
No caso de não ter condições de suprir todas as necessidades do Rafael, de readaptação, uso de próteses, material escolar, e tudo que ele necessitar durante a caminhada rumo à independência, poderia entrar na justiça requerendo suprir as necessidades dele. Que inclusão é essa? Preciso entrar na justiça para fazer valer tudo que tem no papel sobre inclusão?
Essa é a realidade do Brasil, essa é minha realidade com o menino Rafael, só me resta continuar, buscar e lutar pra fazer valer os direitos da inclusão; a exclusão é fato e está presente, mas um dia o Rafael homem poderá dizer que não foi excluído porque a família dele não permitiu.
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