Um dia destes um dos meus irmãos disse que nasci pra ser mãe. Nunca havia pensado nisso, simplesmente gosto de ser mãe, creio que se a vida fosse um teatro, estaria desempenhando meu melhor personagem.
Quando uma criança nasce, a mãe sente prazer e orgulho em sair levando o filho nos braços, muitas pessoas parando, olhando, perguntando sobre o bebê, sensação boa essa.
Uma das minhas falhas com o Rafael, que não posso corrigir, está justamente nisto, nesta alegria de sair com o filho recém-nascido, sentia que havia falhado em algum lugar, sentia vergonha, como se todos os dedos tivessem apontando pra mim, dizendo que estava sendo castigada por algo errado. (Na tradição medieval europeia era isso que ocorria, acho que virou "cultural" no Brasil também). O Rafa era minha derrota, meu fracasso, hoje não tenho problemas em admitir isso, inclusive pra ele.
Quando saía com ele e as pessoas ficavam olhando e perguntavam se ele estava dormindo, por sempre manter os olhos fechados, queria sair correndo, por isso sempre carregava ele deitado para que ninguém olhasse nos olhos dele.
Este sentimento era horrível (ainda é quando revivo estas lembranças). Porém, foi acabando com o tempo, meu olhar sobre meu filho foi sendo modificado aos poucos; não consigo lembrar como se deu esse processo, só sei que resolvi mostrar o rosto dele, sem medo, e diante dos olhares estrangeiros e perguntas curiosas dizia sem titubear: "Ele é cego!"
O Rafa chamava muito atenção por ser um bebê gordo e sorridente, mas diante da afirmação da cegueira me deparava (e me deparo) com inúmeras manifestações: dó, perda, negação, estímulo, força, fé entre outras.
Hoje tenho o Gabriel, um bebê lindo, saudável, sorridente, mas ele não substitui o Rafael, por isso sinto muita saudade do meu Rafinha bebê. Fica a pergunta girando na minha cabeça: "O que fiz com meu bebê Rafael?"
Olho as fotos dele e não consigo lembrar daqueles momentos, só lembro dos incontáveis exames e da angústia de não entender os motivos dele ter nascido dessa forma.
Toda essa experiência relato e torno pública para que outras mães não cometam o mesmo erro. Filho é sempre filho, seja ele deficiente ou não. A vida, que é dom gratuito de Deus, deve ser celebrada, amada, cuidada e preservada.
Hoje o Rafa tem 3 anos, e procuro viver a plenitude dessa idade, respeitando sempre os limites dele e me orgulhando da grande figura humana que ele está se tornando, não tenho mais nenhum tipo de reservas em mostrar ao mundo que tenho um filho cego.
Minha irmã, estou orgulhoso de você, que garra e que coragem!!
ResponderExcluirConte comigo no que for necessário, sempre lembrando das minhas limitações é claro..rsss.
Bejo,
Rodrigo obrigada por acompanhar as postagens!
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