Ser mãe é um processo solitário e repleto de emoções únicas.
Mesmo estando com várias pessoas ao redor procurando auxiliar em todas as necessidades, gestar um filho, colocar no mundo, amar, cuidar são emoções únicas e exclusivas da mãe (devo admitir que nem todas agem da mesma forma).
Ter uma criança única e singular, como o Rafa, é viver esse processo de solidão elevado a muitas potências, um sentimento que tenho certeza, muitas mães vivem, por viverem situação semelhante a que vivo com com meu anjinho. A ocitocina, conhecida pelo hormônio do amor, dizem alguns estudos científicos, torna-se enorme quando o fruto do ventre é um sujeito tão magnânimo como o Rafa.
É um amor que ao mesmo tempo não encontra espaço suficiente dentro mas também não explode causando estragos ao redor, fica retido, represado numa fonte única, numa relação tão intensa que me faz recordar o AMOR ÁGAPE, um amor incondicional, involuntário, atemporal, que não discrimina e não impõe condições.
Nessa relação tão única, a solidão é uma via obrigatória e impossível de evitar, pois os sentimentos são inumeráveis em relação ao Rafa, preocupações com o futuro, com o dia em que eu não conseguir cuidar dele, o medo de ficar doente e ele não me ter por perto, medo dele ser agressivo com outras crianças por não saber brincar como as outras crianças, medo dele ser mal interpretado, medo das pessoas não ter respeito e carinho por ele, medo da cirurgia que está para fazer... e nessa miríade gritante e silenciosa de sentimentos, mesmo que eu narre tudo para as pessoas que estão ao meu redor (minha rede de apoio), já sei o que dirão, racionalmente sei de todas as respostas, todos os comentários e palavras que procuram aconchegar minhas emoções.
Nenhuma é suficiente, pois emoções são emoções, a racionalidade não dialoga com as emoções.
Solidão! Esse é o sentimento que não posso me furtar de sentir, faz parte da minha caminhada com Rafa. Um percurso único, resgatador e transformador.
Nessa jornada, Rafa consegue ver tudo que sinto, e isso me encanta. Esse fato não é um achismo materno, pois em todos os momentos em que me sinto vulnerável, em que parece ser impossível racionalizar e coordenar as emoções, Rafa chega e me abraça tão apertado, sapecando beijos na minha testa e no meu rosto, que chego à conclusão que Deus tem ensinado ele a me dizer sem nenhuma palavra: "mamãe vai ficar tudo bem!".
Um paradoxo sem dúvida.
Empatia. Essa é a palavra que deve definir a relação com o outro, ter empatia não é ter palavras de consolo para que os sentimentos amenizem ou deixem de existir, mas é ter a capacidade de se despir do próprio eu egocêntrico e se colocar no tempo/espaço do outro, ver com outros olhos.
Essa é a lição mais preciosa que tenho aprendido através da minha vivência com Rafa. É a resposta do Criador para muitas perguntas que faço.
Sentir e viver a solidão não é um problema, é um fato. Não vou rejeitar e negar sentimentos, pois aprendi desde que Rafa nasceu, que preciso experimentar e viver todas as emoções que nossa existência juntos me trouxer.

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