Rafael, meu filho nasceu em novembro de 2010,
portanto está agora com 2 anos. A gestação foi tranquila, sem nenhum tipo de
intercorrências (termo usado pelos médicos que logo aprendi). Após o nascimento
apresentou uma pequena alteração na respiração, mas logo foi
solucionado.
O que chamava a atenção, da minha mãe, no primeiro
dia de vida dele, é que não abria os olhos. Quando alertou a pediatra de plantão
ela logo preveniu que ele deveria ter alguma alteração na estrutura do olho ou a
fenda fechada, mas precisava ser examinado por uma oftalmologista, o que
aconteceu 24 horas depois.
A médica oftalmo disse que precisaria de exames no
consultório para poder falar alguma coisa, porém já alertou sobre os tratamentos
e readaptações para crianças cegas.
Ao sair da maternidade, a rotina de exames se
estendeu por vários dias. Foi diagnosticado que Rafael nasceu sem os dois globos
oculares, porém com a ressonância magnética verificou-se que ele tem os dois
globos bem prematuros, portanto têm microftalmia bilateral, o que não muda muito
o quadro de tratamentos e terapias de apoio.
Durante esta maratona, Rafael não respondeu ao exame
da orelhinha, o que poderia ser uma possível surdez.. Neste momento percebi que
ser cego não era nada, mas a surdez e a cegueira seria demais pra mim. Até
então, existia uma dor, um sofrimento por ter recebido um filho cego, mas já
havia uma leve aceitação do fato. Foi então que me ajoelhei diante daquele que
tudo pode, Deus Eterno de amor, e pedi que realizasse um milagre na vida do meu
filho, concedendo audição à ele. No exame mais minucioso de audição (BERA), o
resultado foi que ele ouvia (ouve). A sensação que tivemos foi que saiu um mundo
das nossas costas.
Com 40 dias de nascido conseguimos, através da
pediatra que acompanha Rafael, uma entrevista numa instituição de cegos, o que
foi de grande auxílio, pois algumas dúvidas foram esclarecidas. Neste tempo de
incertezas e medos, algumas pessoas foram de grande auxílio emocional e
espiritual: minha mãe, meu irmão Rodrigo, minha cunhada Viviane e o Pastor
Vagner, que sempre dizia do amor pelos filhos. Creio que Deus usou cada uma
destas pessoas para nos confortar num momento dificil, aprendemos amar e ser
feliz com o Rafael.
A partir do ano de 2011 mais médicos, mais exames...
descrições para as próximas postagens.
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