Uma das decisões que tomei quando o Rafael nasceu foi
de parar de trabalhar, na minha cabeça era inconcebível deixar ele sem as
terapias de apoio. Na primeira conversa com a assistente social da instituição
pró visão ela disse que eu deveria criar ele como criei a Heloísa, visando a
independência dele. Esta palavra ficou registrada e ganhou um significado muito
amplo na e para a educação que priorizamos para o Rafa.
Minha mãe (que tem sido meu braço esquerdo e
direito), parou de trabalhar quando ele estava com 7 meses, fazendo uma parceria
na readaptação do Rafael.
Neste tempo de licença, além dos exames também
comecei a ler tudo sobre cegueira congênita. Que mundo a parte, aprendi sobre o
significado do tato, do alfato, e da audição para os cegos. Aprendi a falar
CEGO, entendi que é este o termo que se usa, sem medo de dizer essa palavrinha
para meu filho. (Digo pro Rafa: "É o ceguinho lindo da mamãe).
Um dos livros que li foi do médico neurologista
Oliver Sacks, "O olhar da mente". Que espetáculo ele contando o funcionamento do
cérebro e as readaptações necessárias em casos de perda de alguns dos órgãos do
sentido. Vi filmes sobre crianças cegas, pessoas cegas, entre eles: O livro de Eli, Vermelho como o céu, Black e alguns
documentários.
Agora estou lendo "A História da minha vida", de
Helen Keller. Mulher que ficou cega e surda aos 18 meses. Consegui entender com
essa leitura como era a percepção dela do mundo, mesmo sem escutar e sem
enxergar.
Ainda entre as minhas aprendizagens fui atrás do
Braille, do ensino de matemática, dos rótulos com as "bolinhas" pra ele tatear,
brincar....são tantas lições que o Rafael ensina.
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