Heloísa demorou a aceitar completamente o irmão. Não aceitava pelo fato dele ser cego.
Ficava questionando os motivos dele ter nascido dessa forma, falei umas três vezes, na quarta vez resolvi ficar brava e coloquei uma pedra no assunto, pois percebi que ela entrava num jogo de me amarrar emocionalmente, pois já havia crescido o ciúme do Rafa conosco, ela começou a entender que deveria dividir os pais com ele.
Precisei, muitas vezes ficar brava com ela, pelo fato de não aceitar completamente o Rafa. Isso durou uns meses, depois ela começou a ter curiosidade de como seria a vida de cego, mostrei imagens, conversei, expliquei, mostrei o braille em rótulos, enfim inseri ela no mundo da cegueira para ela ver e entender como seria a vida do Rafael.
Após um tempo ela passou a gostar da idéia e na escola enchia a boca pra dizer que o irmão é cego, levava rótulos com as "bolinhas" pra mostrar aos colegas, andava na escola com os olhos fechados e tateando pra mostrar como seria o Rafael. Enfim, entendeu como deveria tratar o irmão, sempre colocando as mãos dele pra ver os objetos, no rosto dela pra conhecê-la.
Foi uma fase complicada pra administrar, mas saímos dela. Hoje os dois interagem muito bem, brigam e brincam como irmãos fazem. Rafa puxa os cabelos dela e ela grita, ele grita também.......Heloísa é ótima professora, pois o Rafa tem aprendido muitas coisas com ela, nem todas ideais para uma criança....assim são os irmãos.
todos os nossos dias são de superações,porque somos deficientes perante a vida, perante o mundo e porque somos limitados, até mesmo para demonstrar nosso sentimentos,grande bjs para todos. will
ResponderExcluirMuito bacana cada relato Elaine. Continue. Tentei me cadastrar no blog mas não achei onde. Bjs
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