quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Ele é cego, ele é cego, ele é cego...parte 2.

No sábado, dia 16 de novembro, Rafa fará 3 anos. Já compramos o presente dele, um teclado infantil, ele adora música e tem mostrado interesse nos instrumentos musicais.
Em meio à nossa alegria por ele completar mais um ano de vida, ainda revivo os momentos do nascimento dele, não dá para esquecer.
Após a confirmação da microftalmia (que naquele momento disseram ser enoftalmia), os médicos colocaram uma "faca sobre nossas cabeças", diziam que era má formação intrauterina, e que nenhuma má formação vem sozinha, portanto o Rafa, com certeza teria outras necessidades. Eu me perguntava o que mais tinha reservado para nós, como seria,  o que seria....isso gerava muita angústia, eu não conseguia cantar, nem ouvir músicas, não conseguia ver TV (não tinha vontade), minha mente girava em silêncio em meio a escuridão das incertezas, não chorava, segurava firme as lágrimas, não por ser forte ou orgulhosa, mas pela Heloísa, não queria passar insegurança, medo ou tristeza à ela.
Nessa época a Heloísa estava aprendendo a reconhecer as letras e os números, eu não tinha alegria nisso, pois o Rafa não teria essa fase tão espetacular da vida de uma criança. (naquele momento eu imaginava isso).
Estive mergulhada num mar em plena madrugada. Dessa forma me sentia, naufragada, afogada, desemparada. Olhava pra ele tão bebezinho e queria dar olhos à ele, pensava nos motivos de Deus ter me dado um tapa com luva de pelica, não entendia.
Tinha enorme dificuldade em sair com ele, tinha vergonha do dedo dos outros apontando por ter tido um filho cego, acho que de alguma forma me sentia culpada, procurava onde havia errado durante a gestação dele.
Esse mar de incertezas e sofrimentos foi dando espaço para outros fragmentos da vida cotidiana. Encontrei amparo nos braços de Deus, embora naquele momento nem percebia isso.
O dia que considero decisivo para romper toda essa angústia foi na primeira consulta com o neuro. Ele disse que o Rafa só seria feliz se eu fosse feliz. Hoje entendo que aquele Dr. foi usado por Deus pra dar esse recado, a partir daquele dia minha luta foi outra: ser e estar feliz com ele, a música voltou pra minha boca, o sorriso pros meus lábios.
Creio que naquele dia eu passei a amar o Rafael e iniciei a jornada pela felicidade dele.

3 comentários:

  1. Nossa Laine, gostei do que escreveu.
    Bem que você poderia juntar todas as postagens de escrever um livro...rsss
    Feliz aniversário antecipado para o Rafael, guerreiro, abraços do tio.

    Nilson

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  2. Ah "bonitão".....quem sabe um dia, minha intenção sempre foi e sempre será divulgar informações, eu não encontrei nada significativo sobre cegueira quando ele nasceu. Obrigada por ler e compartilhar.

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  3. Elaine eu me emocionei com o que você escreveu neste blog, Deus verdadeiramente vem ao nosso encontro nos dias de angustia. Elaine já podemos ver Deus na vida do pequeno Rafael, sei que Ele já fez, e fará muitas maravilhas na vida desta criança, Deus abençoei !

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