Comecei o ano de 2015 com uma
boa notícia. Tive o privilégio de ver a alegria brilhar nos olhos de uma mãe
que tem um filho com deficiência, ela ria e chorava pela conquista, pela
resposta positiva que obteve em relação a escola do filho.
Fiquei pensando sobre o
assunto, na verdade há tempos penso no assunto, sobre escola especial e comum
para crianças com deficiência. Devo reiterar aqui que sou professora já tive
vários alunos com deficiência. Sei que tocar nesse assunto é “cutucar onça com
vara curta” e que “posso dar um tiro no próprio pé”.
Enfim, vamos cutucar a onça.
Essa política de inclusão é
uma das maiores armações da história, agora falo em especial do Estado de São
Paulo, realidade que vivo. Como podem afirmar que um aluno com deficiência deve
ser atendido, preferencialmente, (amo essa palavra tão usada na legislação
sobre inclusão), em rede regular de ensino e no contraturno em sala de recurso?
Um aluno com deficiência intelectual
pervasiva (severa), como pode frequentar a escola regular? Então colocaram um
cuidador para esse aluno, que faz o trabalho de mãe ou babá, no caso auxilia
nas AVDs desse aluno (Atividade de Vida Diária). Grande parte dos professores
não sabem nem o que fazer com um aluno desse, muitos não sabem/não conseguem
nem mesmo conversar com esse aluno, não por má vontade, mas porque a educação e
formação social das pessoas não inclui aceitar o que é diferente, não inclui
ver valor nas diferenças, não inclui oferecer tratamento de igualdade dentro
das diferenças.
Fico pensando que vantagem “Maria
leva?” No caso a Maria são alunos inclusos. Já ouço os radicais gritando que
esses alunos precisam aprender a conviver em sociedade, não podem ser
segregados. Pergunto aos mesmos radicais: Esses meninos e meninas não são
segregados na e da escola inseridos nela?
São segregados dentro da
escola, são “diferentes”, com comportamentos estereotipados, específicos que
algumas deficiências impõem. Professores não sabem ensinar esses alunos,
portanto o que fazem na escola?
Parece que existe uma certa
inversão de fatos/valores: Os alunos com deficiência aprendem a viver na
diversidade ou os alunos que não apresentam deficiência que aprendem a viver na
e com a diversidade? (Isso quando
aprendem).
Certa vez precisei dizer à um
médico: “Ninguém nesse mundo quer o melhor para o meu filho, além de mim que
sou mãe, que carreguei nove meses, que coloquei no mundo”. Volto nesse
pensamento para colocar as mães de crianças deficientes como as melhoras e mais
capacitadas pensadoras e lutadoras dos filhos. Nenhuma mãe, nunca, jamais é consultada
sobre o que quer para o filho, se quer colocar em instituição, se quer colocar
em escola especial oi regular, se acredita que aquela instituição está
prestando serviço de qualidade aos filhos/as.
Já me disseram que essas mães
não sabem o que querem para os filhos, não entendem nada sobre inclusão, vida
independente, AVD, nem sobre a própria deficiência dos filhos. Acredito que
muitas não saibam mesmo, mas precisam saber, pois também isso é garantido na legislação.
A mãe inclusa precisa saber e
entender quem é o filho ou filha, precisa saber escolher os caminhos que essa
criança andará, as mães precisam ser chamadas a dizer sobre a inclusão sobre a
qualidade dos serviços prestados aos filhos/as.
Cabe aos poderes públicos dar a oportunidade de opção às mães/ pais com
filhos deficientes. Considerando que cada criança é ser único, singular e complexo,
portanto se escola regular foi boa para o aluno Y será que será boa para o
aluno X?
Nossa Laine, uma discussão necessária e urgente, pq eu mesma me pego com esse discurso radical que citou, mesmo sem ter a ctz do que de fato estou defendendo. Estou agora...refletindo. bjs amiga
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