domingo, 11 de janeiro de 2015

Cutucando a onça!


Comecei o ano de 2015 com uma boa notícia. Tive o privilégio de ver a alegria brilhar nos olhos de uma mãe que tem um filho com deficiência, ela ria e chorava pela conquista, pela resposta positiva que obteve em relação a escola do filho.

Fiquei pensando sobre o assunto, na verdade há tempos penso no assunto, sobre escola especial e comum para crianças com deficiência. Devo reiterar aqui que sou professora já tive vários alunos com deficiência. Sei que tocar nesse assunto é “cutucar onça com vara curta” e que “posso dar um tiro no próprio pé”.

Enfim, vamos cutucar a onça.

Essa política de inclusão é uma das maiores armações da história, agora falo em especial do Estado de São Paulo, realidade que vivo. Como podem afirmar que um aluno com deficiência deve ser atendido, preferencialmente, (amo essa palavra tão usada na legislação sobre inclusão), em rede regular de ensino e no contraturno em sala de recurso?

Um aluno com deficiência intelectual pervasiva (severa), como pode frequentar a escola regular? Então colocaram um cuidador para esse aluno, que faz o trabalho de mãe ou babá, no caso auxilia nas AVDs desse aluno (Atividade de Vida Diária). Grande parte dos professores não sabem nem o que fazer com um aluno desse, muitos não sabem/não conseguem nem mesmo conversar com esse aluno, não por má vontade, mas porque a educação e formação social das pessoas não inclui aceitar o que é diferente, não inclui ver valor nas diferenças, não inclui oferecer tratamento de igualdade dentro das diferenças.

Fico pensando que vantagem “Maria leva?” No caso a Maria são alunos inclusos. Já ouço os radicais gritando que esses alunos precisam aprender a conviver em sociedade, não podem ser segregados. Pergunto aos mesmos radicais: Esses meninos e meninas não são segregados na e da escola inseridos nela?

São segregados dentro da escola, são “diferentes”, com comportamentos estereotipados, específicos que algumas deficiências impõem. Professores não sabem ensinar esses alunos, portanto o que fazem na escola?

Parece que existe uma certa inversão de fatos/valores: Os alunos com deficiência aprendem a viver na diversidade ou os alunos que não apresentam deficiência que aprendem a viver na e com a diversidade?  (Isso quando aprendem).

Certa vez precisei dizer à um médico: “Ninguém nesse mundo quer o melhor para o meu filho, além de mim que sou mãe, que carreguei nove meses, que coloquei no mundo”. Volto nesse pensamento para colocar as mães de crianças deficientes como as melhoras e mais capacitadas pensadoras e lutadoras dos filhos. Nenhuma mãe, nunca, jamais é consultada sobre o que quer para o filho, se quer colocar em instituição, se quer colocar em escola especial oi regular, se acredita que aquela instituição está prestando serviço de qualidade aos filhos/as.

Já me disseram que essas mães não sabem o que querem para os filhos, não entendem nada sobre inclusão, vida independente, AVD, nem sobre a própria deficiência dos filhos. Acredito que muitas não saibam mesmo, mas precisam saber, pois também isso é garantido na legislação.

A mãe inclusa precisa saber e entender quem é o filho ou filha, precisa saber escolher os caminhos que essa criança andará, as mães precisam ser chamadas a dizer sobre a inclusão sobre a qualidade dos serviços prestados aos filhos/as.  Cabe aos poderes públicos dar a oportunidade de opção às mães/ pais com filhos deficientes. Considerando que cada criança é ser único, singular e complexo, portanto se escola regular foi boa para o aluno Y será que será boa para o aluno X?

Um comentário:

  1. Nossa Laine, uma discussão necessária e urgente, pq eu mesma me pego com esse discurso radical que citou, mesmo sem ter a ctz do que de fato estou defendendo. Estou agora...refletindo. bjs amiga

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