Já escrevi em outros posts sobre a reação das pessoas ao Rafa.
Isso ainda se destaca aos meus olhos, talvez incomoda, não ao ponto de perder a paz. Mas no sentido de observar detidamente como o ser humano é singular.
Tive, nos últimos dias, duas manifestações ao Rafa totalmente opostas.
Com tantas festividades de fim e começo de ano, estive em algumas, com pessoas que já conhecem e convivem com o Rafa, outras que simplesmente sabem da existência do Rafa, apesar de negarem essa mesma existência.
Em uma dessas festividades tive, pela segunda vez a mesma experiência com a mesma pessoa: nem olhou para a cara do Rafa. Estranho!?
Uma pessoa me conhece, me cumprimenta e não olha para cara do meu filho?
Será que tem dó, pena dele ou da mãe dele? Será que não sabe como falar com um menino de cinco anos cego? Será que tem medo da cegueira?
Será que as pessoas não sabem como falar, tratar com pessoas com deficiência?
Me coloquei na situação oposta para ver como reagiria e no mesmo momento veio à memória minha própria reação à tantas crianças com deficiência e seus familiares, mesmo antes de ter o Rafa.
Fiquei tentando achar a solução da charada, mas não tive sucesso.
A outra situação: viajei por estes dias (meio insegura, devo confessar, pois Rafa ainda tem algumas dificuldades em lugares estranhos, rejeita até mesmo se alimentar, mas dessa vez falei pra ele que passaria fome se assim quisesse, pois iríamos passear pronto e acabou).
A maioria das pessoas "estranhas", que nunca havíamos visto, naquela hotel fazenda, se apaixonaram pelo Rafa, conversavam com ele, fazia um carinho na cabeça, queriam um abraço dele, um toque. Me perguntei: gente o que é isso?
A essa charada tive resposta: sensibilidade humana em ver o menino, não a deficiência. Talvez sensibilidade de ver o menino meigo e carinhoso que meu Rafa é, apesar da destacada deficiência.
Rafa, usando alguma estratégia que não conheço ainda, escolhe as pessoas com uma astucia admirável. Gosta de pessoas mais calmas, serenas e dessas quer colo, dá abraço, dá a mão, quer estar perto.
Volto a reafirmar: Rafa está no mundo, ele vive, respira, é uma pessoa humana antes de qualquer coisa, merece respeito e educação como qualquer pessoa humana. Não olhar para a face dele não o fará desaparecer da face da terra. Rafa vai continuar no mundo, na sociedade, fazendo coisas que ele consiga e que queira fazer até Deus determinar o fim.
E sim....sim...sim...meu amore ficou MUITO BEM no hotel fazenda, amou tudo, se alimentou direitinho, brincou, nadou com papai, mamãe, irmãos, titio Rodrigo, titia Viviane, ficou sozinho na brinquedoteca com os monitores, escalou, caminhou e ficou preguiçoso na rede, mesmo com uma música alta ao lado.
Pessoas que ignoram uma criança com deficiência não fazem parte da minha vida. Estão perdendo a grande oportunidade de conhecer meu Rafa, sem nenhuma modéstia e muito orgulho materno.
Amore mio segue sendo meu grande professor!
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