sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

"Que ele seja FELIZ, é o que ESPERO!"

Quando surgiram as primeiras notícias sobre os bebês nascendo com microcefalia, luzes vermelhas piscaram em meu olhar.
Comecei a acompanhar tudo, peguei o cartão de vacinação dos meus três filhos e comparei o perímetro cefálico (medida da cabeça), deles ao nascer. Fui invadida por um turbilhão de sentimentos, sensações.
Alguns podem interpretar isso como dor ou um retrocesso aos dias em que vivi o que milhares de mães tem vivido em todo o Brasil. Sei o que elas sentem. 
Gostaria de abraçar cada uma delas e dizer: 
"Passei por esse caminho um dia e estou aqui sorrindo junto com meu filho."
É um caminho longo, difícil, sofrido. Deixamos escapar muitas coisas na ânsia de cuidar daquele bebê que não  é o bebê dos sonhos de nenhuma mãe. Deixamos de saborear cada uma das fases que passam os bebês (mesmo que essas fases aconteçam em tempo cronológico diferente dos outros). É o inicio de uma busca feroz para restituir o que aquela criança perdeu; ironia, pois estas crianças não perderam, elas trazem algo indescritível para a vida, faz nascer um olhar novo para as pessoas. Mas isso, sei somente agora que meu Rafa tem cinco anos.
Se alguém viesse com essa conversa comigo quando ele tinha dois, três meses, talvez eu mandaria a pessoa "ter um filho com deficiência depois vir falar sobre o assunto". Não foi fácil, ainda não é fácil e sei que nunca será fácil.
Não espero e não desejo nada fácil, pois o Rafa me deu todas as armas e lições para lutar por ele, para seguir em frente de cabeça erguida, chorando e sorrindo ao mesmo tempo, agora essas lágrimas derramadas expressam alegria pelas conquistas dele (que são muitas).
Hoje fiquei emocionada com o depoimento de Mila Mendonça, num vídeo que mostra ela relatando sobre seu filho Gabriel, que nasceu em dezembro com microcefalia. Ela se emociona ao relatar os fatos tão recentes, não somente entendo tudo que ela fala, mas sei como é. Parece meu filme biográfico: médicos, incertezas, bebê estressado por sair de casa tantas vezes fazendo exames, terapias de apoio.
Ninguém sabe o sentido disso tudo se não viver isso tudo, ninguém conhece a teia de sentimentos que cercam uma mãe nessas condições. Volto a afirmar: não é fácil.
Tempo/momento de incertezas, solidão, medo....depois a alegria vai assumindo o controle, quando entendemos que aquele bebê pode ser feliz.
Somente isso que eu queria pro meu Rafa: que ele fosse feliz. Aprendi com o neuropediatra que a condição para ele ser feliz seria eu também ser feliz.
Somos felizes.
Tenho certeza que muitas  mães dos bebês microcefálicos, vão chegar a essa conclusão: precisam ter alegria e felicidade para ensinar o filho ou filha ter alegria e felicidade.
Segue link do vídeo mencionado acima:

http://www.msn.com/pt-br/video/other/voc%C3%AA-n%C3%A3o-v%C3%AA-defeito-diz-m%C3%A3e-de-beb%C3%AA-com-microcefalia/vp-BBoJAm5

Nenhum comentário:

Postar um comentário

"PORQUE TENDES MEDO?!"

"PORQUE TENDES MEDO?!"  No dia 07 de junho desse ano, Rafa fez uma cirurgia para correção no quadril, estava com uma subluxação em...