sábado, 11 de junho de 2016

Escolhendo o banheiro!

Ha cinco anos e alguns meses luto pelo Rafa, luto com o Rafa. Sei que minha batalha ainda é grande, suada e o mais interessante de tudo é que aposto numa briga que não sei o resultado final.
Apesar que em todas as guerras e batalhas nunca é possível prever o final. No caso dessa, especificamente, poderia prever alguma coisa se, e somente se, os médicos conhecessem o que se passa com Rafael, o que não é o caso.
Considerando todo o atraso no desenvolvimento ele é uma figura impagável, sabe se colocar como um sujeito de direitos. Sabe dizer suas vontades sem oralizar, sem uso da linguagem (que no caso dele é quase nula).
Essa semana de muito frio no estado de São Paulo, o pai do Rafa foi dar banho nele. Ele entrou em desespero, se jogou no chão e ficou largado como uma gelatina (apesar de gostar muito de água e banho), o pai insistiu chamando e explicando que ele tomaria banho, mesma reação, só que começou a chamar: "mamã....mamã....mamã....mamã....
Concluimos que ele queria se banhar com a mamãe. Fui chamar e tentar pegar ele do chão (que continuava estatelado), conversei explicando que iria tomar banho, ele segurou minha mão e levantou. Quando chegamos na porta do banheiro saiu correndo para outro lado, como se tivesse sendo levado para um ambiente que desestabilizaria ele.
Tentei mais duas vezes. Mesma reação. 
Na última vez ele foi em direção ao meu quarto e eu entendi o que ele queria. Quando perguntei:
"Você quer tomar banho no banheiro da mamãe?" Ele correu para o banheiro do meu quarto, tirou a roupa rindo e batendo palmas, numa genuína manifestação de alegria. Afinal , se fez entender de alguma forma.
 Resolvido isso, de banho tomado e descansando na minha cama, fiquei pensando na capacidade inerente do ser humano na resolução de problemas. Alguns estudos de neuroaprendizagem  defendem que o cérebro humano é capaz de muitas adaptações.
Hoje, depois de várias afirmações, que Rafa cruzará a linha de chegada, tenho outra forma de pensar e já não faço muitas afirmações, mesmo crendo muito em Deus e no Rafa. Acredito que ele pode vencer a corrida dele, uma corrida que é única e singular e com certeza não é a mesma corrida de outras crianças.
Vou amar menos por isso?
Talvez amo mais!

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