Tenho tantas coisas a contar, escrever, compartilhar. Dentre tantos assuntos optei pos falar da escola do Rafa.
Desde que Rafa nasceu tinha noção que teria problemas com a questão escolar dele, e já naquele tempo só tinha uma certeza: procurar fazer o melhor pelo Rafa, mesmo que para isso brigas jurídicas se fizessem necessárias.
Ano passado, quando Rafa fez 6 anos, iniciei uma longa jornada por uma escola, acompanhei essa jornada de outras mães, mas quando precisei percorrer o mesmo caminho foi difícil, apesar de conhecer como era essa estrada.
A primeira parada foi na supervisão escolar da prefeitura da cidade em que moro, sendo eu funcionária e professora dessa rede, conheço algumas das pessoas que me receberam. Fiquei chocada com a falta de sensibilidade de uma das supervisoras (que agora não ocupa mais o cargo), me disse sem nenhuma sutileza apontando para relatórios e laudos médicos do Rafael:
"Esses laudos de nada servirão para nós, o promotor está do nosso lado e ele vai determinar que você matricule seu filho no primeiro ano"
Estava ali pedindo permissão para ele continuar na escola de educação infantil, pois cognitivamente Rafael não acompanha a idade cronológica. Falei que ele não poderia ser somente um número, pois um menino que não sabe se expressar com a linguagem oral o que faria numa sala regular de 30 alunos? Perguntei isso, mas me disseram que " É direito dele frequentar escola", ao que respondi não estar discutindo direitos, por conhecer todos eles.
Até de conselho tutelar foi falado durante essas visitas, como se eu fosse uma mãe me recusando a cuidar do meu filho e oferecer o melhor para ele.
Por outro lado, iniciei uma busca por escola especial (mesmo tendo sido aconselhada por várias pessoas a colocar ele numa escola regular), algumas escolas não o aceitavam por causa da cegueira que é associada ao TEA. Uma escola se propôs a trabalhar com Rafa, fiz o pedido de bolsa para a SEESP em fevereiro de 2017. A resposta definitiva apareceu nessa última semana: parecer concedido, Rafa precisa de um currículo funcional e não adaptado.
Segunda - feria, dia 2 de outubro ele começa uma nova etapa da vida, em meu coração de mãe fica aquela insegurança, aquele eterno "complexo de canguru", querendo deixar ele aqui pertinho dentro de uma bolsa, de maneira que eu possa protege-lo do mundo, de todos.
Racionalmente sei e desejo que o Rafa tenha uma vida fora do âmbito familiar, que possa conviver com outras crianças, outras pessoas.
Neste tempo de espera pela resposta da secretária de educação do estado, minha oração para Deus foi: se fosse para meu filho sofrer que a resposta fosse negativa.
Sigo na esperança em Deus que Rafa vai ficar bem, que ele poderá ser positivamente estimulado para avançar no desenvolvimento.
Enquanto fôlego de vida me restar vou lutar e brigar por ele, não consigo e não posso desistir, quando parece que não posso mais Deus me levanta e carrega pelos caminhos que devo seguir.
Acalento a esperança que outras mães leiam esse relato e também não desistam dos filhos. Médicos e exames não são Deus para determinar o futuro de ninguém.
Adorei,suas palavras, não desista, eu sou deficiente visual, e sei que o cominho e duro, meu nome Ney.
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