sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

De mãe para mãe!

Desde que o Rafael nasceu (por motivos óbvios), apareceu em mim algo que considero espetacular: Minha enorme admiração pelas mães de crianças com deficiência, meu olhar sobre elas é de admiração e um sentimento que vai além do que as palavras podem descrever, não consigo denominar.
Nesta semana, em particular me chamou atenção duas delas. Uma encontrei num hipermercado, que estava cheio, ela empurrava o carrinho de compras com uma das mãos e com a outra um carrinho de bebê,  um menino com algum tipo de deficiência, não consegui determinar qual, afinal não sou médica, talvez paralisia cerebral. Ela andava pelo mercado com uma graça e desenvoltura que fiquei admirando todas as vezes que esbarrava com ela em algum corredor.
Desviava dos obstáculos com facilidade, sempre alheia aos olhares curiosos sobre o menino. Fiquei com o coração apertado de vontade de dar um forte abraço naquela mulher e dizer que eu também tenho um filho com deficiência, que compartilho de lutas similares às dela....mas não fiz nada disso, a razão me dizia que ela pensaria que sou "louca".
Hoje vi outra mãe com um bebê nos braços, um menino hipotônico. Nunca havia visto hipotonia daquela forma, e ela com tranquilidade falava com ele, dava beijos, se falavam através do olhar. Novamente fiquei encantada e com vontade de compartilhar as lutas e experiências. Estava com o Rafa e ela também o observava, assim como eu o filho dela; talvez nos comunicamos pelos pensamentos, não nos falamos mas tenho certeza que ela nutria os mesmos pensamentos que eu.
As mães de crianças com deficiência, alunos meus, agora tem outro sentido, vejo nos rosto delas a marca das batalhas diárias, muitas sem condições financeiras, sem nenhum tipo de estrutura social, cultural para entender e trabalhar com a deficiência dos/as filhos/as.
Uma delas, que carrego nas lembranças é Iracema, mãe da Julinha, uma aluna com SD. Neste tempo não tinha o Rafa ainda, mas me apaixonei pela menina no  momento que olhei pra ela, linda, esperta em me tirar do sério, ficou comigo por quatro anos consecutivos. Quando não era mais minha aluna, passava pela escola via meu carro e dizia que queria ver a Elaine, entrava lá e me abraçava, muitas vezes ficava com os olhos orvalhado com este gesto dela, a Iracema, mulher muito guerreira, também ficava com os olhos marejados.
Deixo aqui registrado que não é fácil lutar pela independência dessas crianças com deficiência, mas o que fácil nessa vida quando o assunto são os filhos? Entrei nessa luta e não posso, nem quero, sair dela.
Essas mães que mencionei, e   tantas outras que conheço e conhecerei, tenho enorme respeito e admiração, talvez elas são espelhos da minha própria vida com o Rafael, por isso não encontro palavras para nomear o que sinto quando vejo cada uma delas.
Acredito que Deus está conosco, fortalecendo nos momentos de fraqueza, dando sabedoria nos momentos em que a escuridão quer dominar a cena.
Mães carregando com garra e força  filhos e filhas deficientes: Isso é ser GUERREIRA!!!!

Um comentário:

  1. Amigaaa bota guerreiras nisso. Ao ler seu post me lembrei da Cris...mãe guerreira da minha aluna Edmara (encefalocele frontal). Ela aflita pois sua filhinha iria sair da educ. Infantil rumo a novos desafios. Foi então que eu disse a ela para não temer, pois a doce Edmara nascera para ensinar essa humanidade individualista e cruel e que ela precisava estar na escola para Ensinar-nos a sermos seres humanos melhores. Disse isso pq ela cogitou tirá-la da escola. Para essa criança, aprender é consequência, pq sua missão essencial nessa terra é a de ENSINAR!!! bjs amiga...Grace

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