O neurologista do Rafa nos alertou que ele deveria apresentar um atraso no desenvolvimento, atribuído à cegueira. Mas isso não é regra, pois já conheci muitos bebês cegos que se desenvolveram no mesmo ritmo dos videntes.
Este fato já teve muita importância no meu coração de mãe, hoje não tem mais. O significativo é que ele tem vencido muitas barreiras e isso faz dele um grande guerreiro; a interação dele conosco é impressionante, não impressiona pelo fato dele ser cego, mas pelo fato dele ainda não falar, ou melhor ainda não aprendeu a dar significado à linguagem "primitiva" que já adquiriu.
Acredito que o papel da família é importante para que tudo isso aconteça. O papel do pai dele (meu marido) é importante; o Rafa é apaixonado pelo pai, sabe quando ele chega do trabalho pelo barulho do carro e fica "enlouquecido" de alegria, se o pai dele, por algum motivo, passar direto é choro na certa. Sabe a direção da porta que o pai vai entrar, vira o rosto e fica esperando; muito lindo de ver.
Um fato que chamou muito atenção, assim que o Rafa nasceu, foi a pergunta das pessoas sobre meu estado civil, me perguntavam se continuei casada após ter um filho cego. Não entendia isso, depois me explicaram que a maioria dos maridos abandonam tudo diante de um filho "diferente do imaginado". Não sei como estaria sendo o desenvolvimento do Rafael sem a presença carinhosa do pai dele, não posso ter a petulância de afirmar que tudo estaria caminhando tranquilamente.
A família faz muita diferança no desenvolvimento de qualquer criança. E faz muita diferança na vida do Rafael, ele é apaixonado pelo pai dele. Às vezes penso que ele ama mais o pai dele do que eu. (neuroses de mãe!).
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